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RADAR ECONÔMICO

O afeto também move a economia

Quando o afeto encontra um comércio forte, organizado e competitivo, o resultado ultrapassa a celebração de uma data

por Luciano Impastaro
Publicado há 9 horas
Luciano Impastaro (Divulgação)
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Luciano Impastaro (Divulgação)
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Há datas que não podem ser interpretadas apenas pela régua do consumo. O Dia das Mães é uma delas. Embora tenha evidente relevância comercial, sua força está justamente na combinação entre afeto, memória, convivência familiar e decisão de compra. É esse encontro entre emoção e economia que faz da data uma das mais importantes do calendário do varejo brasileiro e, no caso de Rio Preto, um termômetro relevante sobre a vitalidade do comércio local.

A estimativa do Centro de Estudos Econômicos da Acirp de que o Dia das Mães de 2026 deve movimentar aproximadamente R$ 89,8 milhões na economia rio-pretense precisa ser lida para além do número em si. Quando uma data sazonal cresce nessa proporção, não estamos falando apenas de presentes vendidos, mas de renda circulando, empregos preservados, cadeias produtivas ativadas e empresas locais ganhando fôlego para continuar investindo.

O comércio de vestuário, os setores de perfumaria, calçados e acessórios aparecem como protagonistas naturais dessa movimentação, porque dialogam diretamente com o caráter simbólico da data. Presentear uma mãe raramente é uma decisão puramente utilitária. Envolve cuidado, reconhecimento e intenção afetiva. Para o varejo, isso exige mais do que estoque. Exige sensibilidade para compreender o comportamento do consumidor, capacidade de oferecer boas experiências, atenção ao atendimento, presença digital consistente e inteligência para trabalhar diferentes faixas de preço sem reduzir a data a uma disputa por desconto.

O cenário positivo se conecta ao desempenho do mercado de trabalho formal em Rio Preto. A abertura de 2.629 novas vagas no primeiro trimestre de 2026, número 34% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior, contribui para ampliar a sensação de segurança econômica das famílias. Emprego formal não significa apenas salário no fim do mês. Significa previsibilidade, crédito, confiança e disposição para consumir. Quando esse ambiente encontra uma data de forte apelo emocional, a economia local tende a responder de forma mais intensa.

Há, portanto, uma mensagem importante por trás da projeção de R$ 89,8 milhões. O comércio local segue sendo uma engrenagem essencial do desenvolvimento de Rio Preto. Cada compra realizada na cidade ajuda a manter empresas abertas, sustenta postos de trabalho, fortalece fornecedores, amplia a arrecadação municipal e mantém a riqueza circulando no próprio território. Em datas como o Dia das Mães, valorizar o comércio rio-pretense é também reconhecer o papel de quem gera emprego, assume riscos, investe em atendimento e participa diariamente da construção econômica do município.

O Dia das Mães nos lembra que a economia não é feita apenas de índices, planilhas e projeções. Ela também é feita de vínculos. Por trás de cada presente há uma família, uma empresa, um trabalhador, um fornecedor, um entregador, uma vitrine preparada, uma equipe mobilizada e uma cidade em movimento. Quando o afeto encontra um comércio forte, organizado e competitivo, o resultado ultrapassa a celebração de uma data. Ele se transforma em desenvolvimento local.

Luciano Impastaro
Diretor do Centro de Estudos Econômicos da Acirp