Novos horizontes
Ao analisarmos os países que conseguiram dar saltos econômicos e produtivos nas últimas décadas, destacamos a Índia e a China, as duas maiores populações do globo

Vivemos momentos de grandes turbulências na economia internacional, os novos modelos produtivos estão transformando as relações de trabalho, exigindo grandes investimentos em tecnologias, fortes dispêndios em ciência, pesquisa e inovação e estratégias que demandam, de todos os setores da comunidade, uma união em prol de um projeto de país, com estratégias claras e planejamento sistemático.
Todas as nações que conseguiram melhorar as condições de vida de sua população, todas mesmo, investiram fortemente no aumento da complexidade econômica, alterando sua estrutura produtiva, angariando novos mercados globais, com fortes investimentos em capital humano e uma transformação dos produtos exportados, saindo de uma base exportadora de produtos de baixo valor agregado e, com o passar do tempo, melhorando seu perfil exportador, vendendo em outros mercados produtos mais complexos, mais sofisticados e com valor agregado maior, garantindo retorno monetários maiores e lucros mais substanciais.
Ao analisarmos os países que conseguiram dar saltos econômicos e produtivos nas últimas décadas, destacamos a Índia e a China, as duas maiores populações do globo, ambas vem crescendo de forma sistemática e conseguindo aumentar a complexidade de suas respectivas economias. A Índia, em 1994, exportava arroz, chá e algodão, notadamente produtos primários de baixo valor agregado e, atualmente, os indianos estão exportando equipamentos industriais, medicamentos e veículos, além de US$ 274 bilhões anuais em serviços tecnológicos e eletrônicos, uma verdadeira transformação produtiva que colocaram os indianos em um local de destaque no cenário internacional, participando das discussões mais relevantes do mundo da tecnologia, dos algoritmos, da robótica e da inteligência artificial.
A China vem se destacando no cenário internacional pelo seu forte crescimento econômico, que vem ameaçando outras nações e está gerando ciúmes generalizados no ambiente global. Neste cenário, a China vem ganhando espaços em variados setores da tecnologia mundial, tais como as baterias, viagens espaciais, inteligência artificial, nos chips e nos variados produtos marcados pela alta complexidade, que exigem da sociedade chinesa, supervisionada pelo governo, fortes investimentos em capital humano, que contribuíram para levar a nação para a liderança da inovação tecnológica.
Estes são dois bons exemplos que deveriam ser seguidos pelas economias médias, como a brasileira, focando nos investimentos em capital humano, canalizando recursos para o desenvolvimento científico e tecnológico, subsidiando setores estratégicos para o desenvolvimento tecnológico e, ao mesmo tempo, cobrando resultados palpáveis para a sociedade, deixando de lado os subsídios estatais que se perpetuam no tempo, gerando grandes desequilíbrios econômicos e servindo para angariar lucros elevados para poucos empresários e intermediários.
No caso brasileiro, percebemos a forte dependência de produtos primários de baixo valor agregado, nossa estrutura produtiva se caracteriza por uma baixa complexidade econômica e forte dependência dos centros de tecnologia. Nos anos 1990, exportávamos café, soja, açúcar e minério de ferro, após trinta anos, continuamos sendo exportadores dos mesmos produtos e, para piorar, nossa indústria perdeu espaço na economia nacional e estamos vivendo uma verdadeira desindustrialização, achatando os salários, estimulando setores improdutivos e continuamos acreditando que o modelo econômico trará ganhos para a sociedade. Passou da hora de olharmos para os exemplos exitosos do mundo contemporâneo, precisamos fortalecer a institucionalidade, consolidar os setores democráticos e evitar pautas reacionárias que atrasam nosso desenvolvimento econômico e perpetuam nossa dependência externa.
Ary Ramos da Silva Júnior
Bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e Professor universitário.