Ninguém se cala
Somos a primeira empresa de Rio Preto a integrar o pacto “Ninguém se Cala”

A violência contra a mulher é uma realidade que ainda desafia toda a sociedade brasileira. Não se trata de um problema restrito ao ambiente doméstico, mas de uma questão estrutural, que atravessa diferentes espaços, inclusive aqueles que deveriam ser de acolhimento e segurança.
Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que o país registra um feminicídio a cada seis horas, evidenciando a urgência de ações concretas e articuladas. Diante desse cenário, é fundamental que instituições assumam um papel ativo no enfrentamento dessa violência e, como organização de saúde, temos a responsabilidade de olhar para além do cuidado clínico.
A violência impacta diretamente a saúde física e emocional das mulheres, muitas vezes de forma silenciosa. Em muitos casos, o primeiro ponto de contato da vítima com algum tipo de apoio acontece dentro de serviços de saúde, o que amplia ainda mais nossa responsabilidade.
A adesão ao Pacto “Ninguém se Cala”, iniciativa do Ministério Público de São Paulo e do Ministério Público do Trabalho, representa um avanço importante nesse caminho. Ao formalizar esse compromisso, na Unimed São José do Rio Preto, passamos a adotar protocolos específicos para o acolhimento e encaminhamento de situações de violência. Isso significa garantir que toda mulher, seja colaboradora, médica, paciente ou prestadora de serviço, encontre um ambiente seguro, com escuta qualificada e suporte efetivo. Com essa iniciativa, também nos posicionamos como a primeira empresa de Rio Preto a integrar formalmente o pacto.
Mais do que uma assinatura, trata-se de uma mudança de postura. Criar ambientes preparados para lidar com esse tema é essencial para romper o ciclo de silêncio que ainda envolve muitos casos. Sabemos que grande parte das vítimas não denuncia, seja por medo, insegurança ou falta de apoio. Por isso, ampliar a rede de acolhimento e tornar esse suporte acessível é um passo decisivo.
A participação das empresas nesse movimento é fundamental, pois, quando instituições se posicionam, contribuem para fortalecer uma cultura de respeito, ampliam o acesso à informação e incentivam a busca por ajuda. O enfrentamento à violência não é dever exclusivo do poder público, ele exige uma atuação conjunta, que envolva também a iniciativa privada e sociedade.
Ao aderir a esse pacto, reforçamos nosso compromisso com a saúde em seu sentido mais amplo, que inclui segurança, dignidade e proteção. Porque cuidar da saúde também é garantir que nenhuma mulher se sinta sozinha em uma batalha que é de todos nós: a igualdade.
Marcelo Lúcio de Lima
Presidente do Conselho de Administração da Unimed São José do Rio Preto.