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ARTIGO

Nem dieta radical nem culpa

O que funciona, de fato, são ajustes simples, aplicáveis e consistentes no dia a dia

por Ronan Nakau
Publicado há 6 horasAtualizado há 6 horas
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Datas comemorativas e momentos sociais fazem parte da rotina. Páscoa, churrascos de fim de semana, aniversários e encontros em família costumam concentrar mais comida, mais açúcar e menos controle. Isso é esperado. O problema, na minha prática clínica, começa na forma como muita gente reage no dia seguinte.

Vejo com frequência pessoas tentando “compensar” exageros com dietas restritivas, jejuns prolongados ou cortes bruscos na alimentação. Esse caminho não costuma funcionar. Ao contrário, tende a gerar efeito rebote, aumentar a chance de compulsão e dificultar qualquer consistência alimentar.

O corpo não responde bem a extremos. Poucos dias de excesso não são suficientes para gerar ganho de gordura relevante. O impacto maior vem da repetição de hábitos desorganizados ao longo do tempo. Por isso, o foco precisa estar no que acontece depois dessas ocasiões, e não no excesso pontual.

Na prática, o ajuste é mais simples do que parece. Eu oriento meus pacientes a retomarem rapidamente uma rotina previsível. Isso inclui horários regulares para as refeições, pratos mais equilibrados e a redução daquele padrão de “beliscar” ao longo do dia, que costuma se intensificar após períodos de exagero.

A hidratação também tem papel importante. O aumento no consumo de açúcar, sódio e alimentos ultraprocessados costuma provocar retenção de líquidos, o que gera sensação de inchaço. Beber água de forma adequada já ajuda o corpo a voltar ao equilíbrio.

Outro erro comum é tentar compensar tudo com treino pesado. A atividade física é importante, mas precisa seguir uma lógica de regularidade. Não faz sentido concentrar esforço extremo em poucos dias. O corpo responde melhor à constância do que a picos.

Também não recomendo excluir completamente alimentos que fizeram parte desses momentos. Chocolate, carne, sobremesas ou qualquer outro item não são o problema isolado. O que define o resultado é o padrão ao longo dos dias. É possível manter esses alimentos dentro da rotina, com controle de quantidade e frequência.

Ao longo do ano, percebo que muitas pessoas entram em um ciclo repetitivo: exageram em datas específicas e depois tentam corrigir com restrições severas. Esse padrão não se sustenta. O que funciona, de fato, são ajustes simples, aplicáveis e consistentes no dia a dia.

Ronan Nakau

Nutricionista.