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ARTIGO

Nas janelas do tempo, há quatro décadas

O jornalismo local é o mais próximo do cidadão e ajuda a criar um forte senso de comunidade

por Adib Muanis Jr
Publicado há 2 horasAtualizado há 2 horas
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Faz 40 anos hoje que a comunicação social passou por uma transformação histórica em Rio Preto, com a inauguração da TV Globo Noroeste Paulista. Mais um passo no projeto de criação do que conceitualmente se chama telejornalismo comunitário.

A estratégia era abrir emissoras em cidades importantes do interior para levar a programação da Rede Globo e abrir espaço para o noticiário e o anunciante da região. Nos anos 1980, a liderança da Globo era indiscutível, maciça, chegava a 80% dos aparelhos de TV ligados. Novelas, entretenimento, jornalismo, os programas atingiam índices de audiência extremamente altos.

A chegada de uma emissora da maior rede de televisão do país a Rio Preto teve impacto direto em diversas áreas, mas destaco particularmente o jornalismo e a publicidade. O mercado de trabalho se abriu para jornalistas experientes e novatos, contatos comerciais, técnicos, área administrativa. É preciso analisar a própria definição de televisão para compreender a influência decisiva da inauguração da Globo Noroeste para jornalistas, publicitários e profissionais de diferentes setores.

Se semanticamente televisão significa ver de longe, o que está distante, uma emissora regional inverte a lógica quando traz notícias do mundo, do Brasil e, com mais ênfase, da cidade. O morador se reconhece na tela ao mostrar os problemas do bairro, da sua rua, fazer reivindicações, acompanhar as notícias do dia.

O jornalismo local é o mais próximo do cidadão e ajuda a criar um forte senso de comunidade. Esse papel sempre foi cumprido pela Globo Noroeste, que nos anos 90 passou a se chamar TV Progresso e, hoje, TV Tem. Há espaço para as notícias da cidade e da região, dentro das “janelas de tempo” que são abertas pela Rede para todas as emissoras regionais espalhadas pelo Brasil.

Há 40 anos, o país começava a sair de 21 anos de regime militar. A sociedade reaprendia a falar sem medo. Nesse contexto, o telejornalismo comunitário potencializava a construção da cidadania, do senso de comunidade, de compartilhamento do espaço comum. Talvez seja essa uma das grandes diferenças entre os veículos de comunicação de massa, como a TV, e as redes sociais, que isolam as pessoas em bolhas.

Portanto, fica a homenagem e o reconhecimento a todos e todas que, desde o início, consolidaram esta emissora de grande importância para a região noroeste do Estado.

Adib Muanis Jr

Jornalista, Rio Preto