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Não vamos perder esse trem!

Ao transformar antigos trilhos em projetos turísticos, damos um novo propósito ao passado

por Arlindo Lima Junior
Publicado há 2 horasAtualizado há 2 horas
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A notável abordagem publicada em 8/2 pelo empresário e ex-presidente da Acirp, sr. Daniel de Freitas, sobre o nosso Trem Turístico e suas diversas possibilidades, reforça uma conclusão vital: um trem turístico é uma rica oportunidade de viver experiências conectadas à nossa história. Preservar a memória ferroviária não é apenas um exercício de nostalgia; é um resgate da identidade de um povo e uma estratégia poderosa para o desenvolvimento regional.

Ao transformarmos antigos trilhos e estações em projetos turísticos, damos um novo propósito ao passado. É fundamental compreender que o trem deve ser visto como o Fio Condutor da História. No Brasil, no exterior, como também em São José do Rio Preto, o progresso chegou sobre trilhos, ditando o nascimento de cidades, a arquitetura das estações e o ritmo da economia.

Nesse contexto, destacam-se pilares fundamentais:

Patrimônio Material: a recuperação de carros de passageiros e estações preserva a engenharia e o design de épocas passadas;
Patrimônio Imaterial: o projeto mantém vivas as histórias dos ferroviários, os "causos" de viagens e o apito do trem que habita o imaginário coletivo;

Sustentabilidade e Reabilitação: projetos bem estruturados garantem que o patrimônio se mantenha. Estações revitalizadas deixam de ser focos de degradação para se tornarem ativos econômicos como museus, centros culturais ou cafés;

Desenvolvimento Local: o turismo ferroviário movimenta guias, artesãos, hotéis e restaurantes, criando um ecossistema de renda que valoriza a comunidade;

Imersão Educativa: diferente dos livros, o trem oferece uma experiência sensorial. Crianças e jovens compreendem conceitos de distância, tempo e evolução tecnológica ao vivenciar o trajeto.

"Um povo sem memória é um povo sem futuro. A ferrovia é o esqueleto sobre o qual o corpo das nossas cidades foi construído; ignorar os trilhos é ignorar nossas próprias raízes."

Projetos ferroviários são pontes entre gerações que transformam história em legado vivo, provando que preservação e modernidade podem trilhar juntas. Ao investir nesse setor, preservamos não apenas máquinas, mas a alma de um território.

Preservar é preciso! Desenvolver é preciso!

Arlindo Lima

Turismólogo, Ex-Coordenador de Turismo da SEMDEC, Ex-Coordenador do Projeto Turístico Cultural Trem Caipira e ex-chefe de Trem.