Não vamos perder esse trem
Um trem turístico não é apenas um meio de transporte; é uma experiência

O artigo do senhor Arlindo Lima publicado no Diário em 31/1 alerta para a importância de preservar a história da ferrovia, que se confunde com o próprio desenvolvimento econômico de nossa cidade. O encerramento do projeto e o sucateamento do Trem Caipira nos colocam diante de uma decisão capaz de marcar gerações. Poucas cidades brasileiras tiveram, ao longo de sua história, a oportunidade real de transformar um patrimônio subutilizado em um gerador permanente de desenvolvimento financeiro, turístico e cultural.
Se temos um trem com motorização própria, vagões preservados, uma memória ferroviária viva e, sobretudo, 382 hectares da área da Floresta Estadual do Noroeste Paulista, onde se projeta a criação de um parque temático capaz de reposicionar nossa cidade em um novo patamar de atividades regionais e nacionais, por que abrir mão dessa oportunidade?
Cidades que apostaram no turismo ferroviário colhem resultados expressivos, como geração de empregos, aumento do fluxo turístico, valorização imobiliária e fortalecimento do comércio e da identidade local. Não se trata de romantismo; trata-se de economia, planejamento urbano e desenvolvimento sustentável.
Mesmo diante da impossibilidade de renovação do uso da linha da concessionária Rumo, existe uma alternativa técnica plenamente viável: a implantação de um trecho ferroviário dentro do parque, como já ocorre em diversos complexos turísticos no Brasil e no mundo. Essa solução elimina dependências, reduz entraves jurídicos e coloca o controle do projeto nas mãos do município e de seus parceiros.
Um trem turístico não é apenas um meio de transporte; é uma experiência. É narrativa, cultura, história, lazer, gastronomia e espetáculo. Funciona como uma âncora capaz de estruturar um grande parque temático, atrair investimentos privados e estimular concessões, parcerias público-privadas e editais de fomento.
Cabe à administração municipal e aos agentes públicos enxergarem além do mandato, iniciando estudos de viabilidade, ampliando o diálogo com o governo do Estado, estruturando um grupo técnico qualificado e convidando a iniciativa privada para participar desse projeto estratégico.
Rio Preto pode, e deve, ser protagonista. Pode se tornar referência nacional. Pode transformar um trem hoje parado em um poderoso símbolo de movimento, inovação e futuro.
Oportunidades históricas não batem duas vezes à porta. Que saibamos reconhecê-las enquanto ainda estão diante de nós.
Daniel de Freitas
Empresário, ex-presidente da Acirp.