Não dá para esperar muito de 2026

Em 2026, os indicadores econômicos estarão sob relativo controle. Teremos uma inflação pouco acima de 4%, o dólar continuará oscilando e ficará num patamar relativamente alto; já a taxa de juros deverá fechar este ano acima de 12%, patamar alto, mas que só cairá com o controle das contas públicas e da melhora da instabilidade da conjuntura internacional, agora agravada com a invasão da Venezuela pelos EUA.
A verdade é que, com algumas exceções, há décadas que os governos vêm apresentando soluções fáceis para problemas complexos. É natural esperar que os resultados nunca serão os esperados.
Estamos iniciando 2026 e sempre há expectativas de que a vida melhore, mas não vemos um projeto de desenvolvimento econômico há vários governos. Apesar de sermos uma das 10 maiores economias do mundo, o Brasil continua apresentando indicadores medíocres de qualidade de vida.
A última vez que tivemos um Plano Nacional de Desenvolvimento Econômico foi no governo Juscelino Kubitschek, em 1956, com o lema “50 anos em 5”, prometendo a modernidade e a industrialização do Brasil em ritmo acelerado.
Depois, tivemos, no governo Fernando Henrique Cardoso, algumas mudanças estruturais importantes, como o Plano Real. Fora isto, vimos medidas pontuais nos demais governos, pouco significativas para a retomada sustentável do crescimento econômico.
O governo JK construiu uma ponte entre o velho e o novo Brasil. Os avanços registrados nos últimos governos foram incapazes de reduzir as desigualdades sociais e regionais, sustentar o ritmo de desenvolvimento e oferecer condições de vida digna à maior parte da população.
De eleição em eleição, o país segue patinando, apesar de seu enorme potencial econômico. Neste ano, teremos eleições; sobram candidatos, faltam programas de governo e planejamento minucioso.
Então, resta muito pouco a esperar de 2026. Não temos um plano de caráter socioeconômico ambiental, voltado às ações de Estado (não somente de governo), definidas para induzir o desenvolvimento sustentável, crescente, com segurança jurídica. As soluções apresentadas são pontuais, espasmódicas.
Vamos citar um exemplo: o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), no qual o Brasil ocupa apenas a 84ª posição no ranking da Organização das Nações Unidas (ONU), tendo caído 11 posições nos últimos três anos.
Mas tem mais. Em 2024, o Brasil atingiu o maior nível internacional de desigualdade entre 54 nações analisadas, conforme o Coeficiente de Gini, utilizado para medir a disparidade na distribuição de renda.
Por aqui, o forte são os privilégios e a impunidade, com verdadeiras castas cada vez mais bem remuneradas. Não é pessimismo, é estatística; elas não mentem, apenas, quando possível, são ocultadas.
Estagnação, baixa produtividade e políticas econômicas obsoletas dos últimos governos mantêm o Brasil longe das economias de alta renda. O pior é que continuam insistindo num modelo econômico comprovadamente ultrapassado.
Estamos há quase 20 anos consecutivos presos à chamada “armadilha da renda média”, e não há nada que nos mostre ou inspire otimismo para os próximos anos, pois estamos ancorados em uma velha forma de governar: o tal do populismo, distribuição de dinheiro, capitalismo de amigos e privilégios.
Se insistirmos no discurso do governo atual, o que hoje é renda média pode virar renda baixa.
Os economistas ganhadores do Prêmio Nobel de Economia, Daron Acemoglu e James A. Robinson, mostram por que as nações fracassam. É uma combinação de fatores complexos e interconectados.
Aqui estão alguns dos principais fatores: instituições fracas, corrupção, desigualdade econômica, falta de educação e capacitação, dependência de recursos naturais, conflitos e instabilidade política, globalização e mudanças climáticas.
Observamos que, além disto, fatores históricos, culturais e geográficos também podem influenciar o fracasso de uma nação. Destaca-se também a importância das instituições inclusivas e a necessidade de criar um ambiente que permita o desenvolvimento econômico e político.
Da forma que o país vem caminhando, a passos curtos, não dá para esperar quase nada em 2026.