ARTIGO

Mpox: o que precisamos saber em 2026

Com casos positivos já confirmados na região, o momento exige atenção aos sintomas

por Maria Gabriela de Lucca Oliveira
Publicado há 2 horasAtualizado há 2 horas
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Nos últimos anos, o cenário epidemiológico global e nacional colocou a Mpox em evidência. A Mpox não é uma nova COVID, mas exige atenção e informação correta.

A Mpox é uma doença causada por um vírus do gênero Orthopoxvirus. Diferente do que o nome antigo sugeria, os macacos não são os vilões; eles são tão vítimas quanto nós. O reservatório principal na natureza são pequenos roedores.

A transmissão em humanos ocorre principalmente por contato direto com lesões na pele, secreções ou fluidos corporais. Também pode ocorrer por gotículas respiratórias, em contato próximo e prolongado, como fala, beijo e respiração face a face, além do contato com objetos contaminados recentemente, como roupas, lençóis e toalhas de uma pessoa infectada.

A doença geralmente se manifesta em duas fases. Na fase prodrômica, surgem febre, dor de cabeça intensa, dores musculares, cansaço e um sinal muito característico: o inchaço dos gânglios linfáticos, os famosos ínguas, que ajudam a diferenciar a Mpox de outras doenças exantemáticas, como a varicela.

Na fase de erupção, aparecem lesões na pele que evoluem de manchas para bolhas e, finalmente, crostas. Essas lesões podem se concentrar na face, mãos, pés e, frequentemente, na região genital e anal.

O padrão-ouro para o diagnóstico da Mpox é o teste molecular PCR. O material é coletado diretamente das lesões, seja o fluido da bolha ou a crosta, com um swab específico. No laboratório, identificamos o DNA do vírus. O resultado é altamente preciso e direciona o isolamento do paciente. É importante não furar as lesões ou passar pomadas antes da coleta, pois isso pode interferir na qualidade da amostra.

Na grande maioria dos casos, a Mpox é autolimitada, ou seja, o corpo resolve a infecção sozinho em duas a quatro semanas. O tratamento tem foco no alívio da dor e no cuidado com as feridas, evitando infecções bacterianas secundárias. Casos gravíssimos podem exigir antivirais específicos. Existe vacina, direcionada prioritariamente para grupos de alto risco e pessoas que tiveram contato direto com casos confirmados, conforme as diretrizes do Ministério da Saúde.

A prevenção depende de hábitos conscientes: isolamento até que todas as crostas tenham caído e uma nova camada de pele tenha se formado, higiene frequente das mãos e não compartilhamento de objetos pessoais.

O estigma é o maior inimigo do controle de doenças. Tratar o paciente com respeito e agilizar o diagnóstico ajuda a quebrar a corrente de transmissão.

Maria Gabriela de Lucca Oliveira

Patologista clínica do Ultra-X.