Mpox: o que precisamos saber em 2026
Com casos positivos já confirmados na região, o momento exige atenção aos sintomas

Nos últimos anos, o cenário epidemiológico global e nacional colocou a Mpox em evidência. A Mpox não é uma nova COVID, mas exige atenção e informação correta.
A Mpox é uma doença causada por um vírus do gênero Orthopoxvirus. Diferente do que o nome antigo sugeria, os macacos não são os vilões; eles são tão vítimas quanto nós. O reservatório principal na natureza são pequenos roedores.
A transmissão em humanos ocorre principalmente por contato direto com lesões na pele, secreções ou fluidos corporais. Também pode ocorrer por gotículas respiratórias, em contato próximo e prolongado, como fala, beijo e respiração face a face, além do contato com objetos contaminados recentemente, como roupas, lençóis e toalhas de uma pessoa infectada.
A doença geralmente se manifesta em duas fases. Na fase prodrômica, surgem febre, dor de cabeça intensa, dores musculares, cansaço e um sinal muito característico: o inchaço dos gânglios linfáticos, os famosos ínguas, que ajudam a diferenciar a Mpox de outras doenças exantemáticas, como a varicela.
Na fase de erupção, aparecem lesões na pele que evoluem de manchas para bolhas e, finalmente, crostas. Essas lesões podem se concentrar na face, mãos, pés e, frequentemente, na região genital e anal.
O padrão-ouro para o diagnóstico da Mpox é o teste molecular PCR. O material é coletado diretamente das lesões, seja o fluido da bolha ou a crosta, com um swab específico. No laboratório, identificamos o DNA do vírus. O resultado é altamente preciso e direciona o isolamento do paciente. É importante não furar as lesões ou passar pomadas antes da coleta, pois isso pode interferir na qualidade da amostra.
Na grande maioria dos casos, a Mpox é autolimitada, ou seja, o corpo resolve a infecção sozinho em duas a quatro semanas. O tratamento tem foco no alívio da dor e no cuidado com as feridas, evitando infecções bacterianas secundárias. Casos gravíssimos podem exigir antivirais específicos. Existe vacina, direcionada prioritariamente para grupos de alto risco e pessoas que tiveram contato direto com casos confirmados, conforme as diretrizes do Ministério da Saúde.
A prevenção depende de hábitos conscientes: isolamento até que todas as crostas tenham caído e uma nova camada de pele tenha se formado, higiene frequente das mãos e não compartilhamento de objetos pessoais.
O estigma é o maior inimigo do controle de doenças. Tratar o paciente com respeito e agilizar o diagnóstico ajuda a quebrar a corrente de transmissão.
Maria Gabriela de Lucca Oliveira
Patologista clínica do Ultra-X.