Metas sem gestão são apenas promessas de Ano-Novo
Sem um gerenciamento claro, as decisões do dia a dia passam a ser tomadas com base apenas na urgência do momento

Todo início de ano é marcado por planos, metas e expectativas. No papel, tudo parece possível; na prática, porém, muitas empresas chegam ao fim do ano exatamente no mesmo lugar, ou até em situação pior. Isso acontece porque metas sem gestão são apenas promessas de Ano-Novo!
Entre os erros mais comuns estão o estabelecimento de metas genéricas, a ausência de acompanhamento e a falta de prazos definidos. Dizer que o objetivo é simplesmente “vender mais”, por exemplo, dificilmente trará resultados concretos. Quando uma meta não é específica, mensurável, alcançável, relevante e temporal, ela tende a se perder já nos primeiros meses do ano.
Sem um gerenciamento claro, as decisões do dia a dia passam a ser tomadas com base apenas na urgência do momento. O resultado é conhecido por muitos empresários: ao final do ano, chegam exaustos, com a sensação de terem trabalhado mais do que nunca, mas sem enxergar avanços reais.
Definir metas, portanto, exige a criação de uma rotina mínima de gestão. É necessário estabelecer com clareza o que será feito, quais indicadores serão analisados para acompanhar o progresso e quais são os prazos máximos para a execução. Além disso, é fundamental que as metas sejam realistas e relevantes, tanto para o empresário quanto para a equipe. É exatamente esse o princípio da metodologia SMART, uma das mais reconhecidas no processo de definição e alcance de objetivos.
Um exemplo prático ajuda a ilustrar esse conceito. Uma empresa que deseja “vender mais” pode transformar essa intenção em uma meta concreta, como “aumentar em 20% a sua base de clientes”. Para isso, é possível acompanhar semanalmente o número de novos contatos gerados, estabelecer como prazo final o mês de junho de 2026 e considerar, na análise de viabilidade, que a empresa já teve uma base 25% maior em seu período de maior desempenho. A meta se torna relevante ao impactar diretamente o lucro do negócio e a remuneração variável da equipe.
Quando a meta é bem planejada e acompanhada, alcançá-la deixa de ser uma questão de sorte e é consequência do método.
Em resumo, a virada do ano, por si só, não transforma uma empresa. O que realmente muda os resultados é como as metas são definidas, acompanhadas e gerenciadas ao longo de todo o ano. E se, ao final do ano, os resultados não aparecem, talvez o problema não esteja nas metas, mas sim na forma como elas foram conduzidas ao longo do caminho.
Nathália Tiemi P. Tokunaga Lopes
Agente Local de Inovação do Sebrae-SP