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Master

por Adão Moraes
Publicado em 06/01/2026 às 03:50
Adão Moraes (Divulgação)
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Adão Moraes (Divulgação)
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Master, tem uma origem muito singular e significante, “aquele que é mais”. Quando se utiliza um nome desses certamente ele vem carregado de significado. E isso, impõe responsabilidade e respeito ao utilizar como, conceito e ou numa marca. Estamos diante de um escândalo envolvendo essa palavra, alguém que a designou como uma marca, marca do banco Master. E antes desse evento de escândalo, sua filosofia era baseada em quatro pilares: Turnaround de ativos estressados, que nada mais é uma especialidade de comprar empresas e ativos em crise, promover uma reestruturação e gerar lucros, ao que o mercado chama de “distressed assets”. Outra filosofia, o crescimento acelerado, saindo do conservadorismo dos bancos tradicionais, oferecendo aos investidores taxas acima da média do mercado. E as duas últimas eram, a promessa de maior rapidez que os chamados “bancões” oferecendo atendimento a empresas de médio porte com operações estruturadas e personalizadas. Por último, a filosofia da inclusão financeira e o varejo digital.

Diante dessas filosofias o nome Master estava realmente muito bem configurado e conceituado para dar nome ao banco. A questão é que, o nome e a filosofia simplesmente não resolvem, é preciso que os seus gestores, que se utilizam do prestígio da palavra, tenham a mesma grandeza e responsabilidade institucionalizada na marca. Todavia, o que muitas vezes ocorre e não foi diferente neste caso, é que o gestor esquece da grandeza e da responsabilidade, colocando em risco o nome e o prestígio da palavra que gerou a marca. Mas, seus gestores realmente conceberam a marca pensando na força da origem da palavra? Cada qual ache o sentido, segundo suas próprias regras e ideias, mas olhem para os fatos.

Acordos “escusos” com toda pompa de legalidade, mas carregados de interesses escusos. O fato é que a filosofia por si só, não se sustenta, e que vimos é uma enxurrada de coisas que tentam manter “absconsus”, e em segredo, ao ponto de ser segredo de justiça, em nome de uma nova filosofia, proteger o mercado financeiro, abalado pelo escândalo que mesmo “absconsus” foi revelado. O nome ruiu, o prestígio se perdeu, e o fim está longe de acabar. O que parece acabou, foi a paciência ou o interesse em manter apenas uns poucos se beneficiando, sem que se soubesse que a proteção custando milhões, já havia causado prejuízo de bilhões. O caso é tão grave que a mídia também perdeu, mas foi o medo de informar, mesmo que com interesse, o importante é que interessa a todos. A todos os brasileiros que se veem no escândalo e de alguma forma ainda paga essa conta.

Adão Moraes

Gestor de negócios imobiliários