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Manoel Antunes: nove anos de saudade

Seu compromisso não era apenas com obras, mas com pessoas

por Beatriz Noelma Antunes
Publicado há 3 horasAtualizado há 2 horas
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Hoje completam-se nove anos da partida do nosso pai. O tempo seguiu seu curso, mas sua presença permanece viva — não apenas em nossa memória, mas na história desta cidade que ele tanto amou e serviu.

Filho de imigrantes portugueses, nossos avós chegaram aqui com pouco mais do que coragem e esperança. Foi nesta terra que construíram suas vidas, com trabalho, dignidade e perseverança. Nosso pai cresceu aprendendo, dentro de casa, o valor do esforço e a realidade das dificuldades, formando a sensibilidade que sempre o acompanhou.

Talvez por isso, quando teve a oportunidade de governar esta cidade, o fez com o coração voltado especialmente aos que mais precisavam. Não governou à distância — governou com empatia. Sabia reconhecer, no olhar de cada cidadão, histórias que mereciam respeito e cuidado.

Seu compromisso não era apenas com obras, mas com pessoas. Com aqueles que precisavam ser vistos, ouvidos e respeitados. Ele nunca esqueceu de onde veio e fez da sua trajetória uma forma de retribuir à cidade que acolheu sua família e tornou possível sua própria história.

Como pai, foi um homem de amor imenso, presença constante e exemplo silencioso. Nos ensinou valores que o tempo não apaga: honestidade, dignidade, respeito e humanidade.

Esta é uma memória do meu coração — uma vivência afetiva, não um registro histórico. É a forma como eu o vivi, como eu o senti e como ele permanece em mim. Cada filha, mesmo tendo o mesmo pai, constrói sua própria vivência, seu próprio vínculo e sua própria memória. Esta é a minha, e nasce do amor, do respeito e da gratidão.

Sua presença também continua nas gerações que vieram depois. Vive nas lembranças, no carinho e nos traços que permanecem nos meus filhos, que tiveram a alegria de conviver com ele e de guardar, dentro de si, a memória viva do avô.

Porque homens como ele não se vão por completo. Permanecem no que construíram, no que inspiraram e no que deixaram em cada um de nós.
Seu legado não está apenas na história oficial desta cidade, mas no afeto das pessoas, na gratidão silenciosa de muitos e no orgulho eterno de suas filhas.

Com amor, saudade e gratidão.

Beatriz Noelma Antunes

Médica - ginecologista e obstetra