Jogo de soma zero
Pela primeira vez, os conflitos geoeconômicos aparecem na lista dos principais riscos globais no curto prazo, superando guerras convencionais e problemas ambientais

Estamos vivendo sob ameaças permanentes, visíveis e invisíveis; o mundo está cada vez mais perigoso para se viver. O Global Risks Report 2026, nova edição do tradicional relatório divulgado pelo Fórum Econômico Mundial, feito por meio de uma consulta a mais de 1,3 mil líderes públicos, executivos e especialistas, mostra um retrato inquietante do estado do mundo.
Pela primeira vez, os conflitos geoeconômicos aparecem na lista dos principais riscos globais no curto prazo, superando guerras convencionais e problemas ambientais. Perigosamente, a economia deixou de ser um espaço de interdependência para se tornar um instrumento de poder, coerção e disputa estratégica. Os riscos são para todos os países, mas os emergentes pagarão um preço maior e poderão ter suas economias estagnadas.
O relatório indica que 40% dos entrevistados veem um período de elevada instabilidade nos próximos dois anos, marcado por desinformação, polarização social, eventos climáticos extremos e conflitos entre países. O quadro torna-se mais delicado quando observamos um mundo mais fragmentado, pouco cooperativo e progressivamente hostil às regras que o sustentaram, mesmo com imposições, à ordem internacional dos últimos 80 anos.
O relatório organiza os riscos globais em grandes categorias — geopolíticas, econômicas, sociais, ambientais e tecnológicas — mostrando como eles se interligam e se reforçam.
Já no longo prazo, as preocupações são com a mudança do clima, a perda da biodiversidade, o colapso de ecossistemas e a grande preocupação atual, os riscos associados ao uso inadequado de tecnologias emergentes, como a inteligência artificial. Não há alternativas para enfrentar esses problemas sem passar pela cooperação internacional, responsabilidade compartilhada e diálogo multilateral.
É perceptível que as grandes potências estão unicamente empenhadas em assegurar e expandir suas áreas de influência, utilizando cada vez mais os instrumentos econômicos, comerciais e tecnológicos como armas geopolíticas. Vemos, de um lado, os EUA, que abraçaram oficialmente o imperialismo redivivo via Donald Trump, mesclando protecionismo agressivo, negação do multilateralismo e uso seletivo de sanções e tarifas.
De outro, o eixo sino-russo, que tem como estratégia o autoritarismo político, o revisionismo geopolítico e a contestação às normas liberais do pós-Guerra Fria. O forte dessa parceria é a inspiração autocrática.
Consequentemente, as instituições multilaterais enfraquecem, há uma fragmentação dos mecanismos de coordenação global e o recrudescimento do protecionismo, que impactam diretamente as cadeias de suprimento, a segurança alimentar, a transição energética e a estabilidade financeira. A regra está sendo substituída pela lei do mais forte.
Dada a situação, o Brasil terá que enfrentar riscos geoeconômicos e políticos nas próximas décadas. Vejamos alguns:
Riscos ambientais, tais como a mudança climática e a perda de biodiversidade, que podem impactar a agricultura, os recursos hídricos e a saúde pública; confrontos geoeconômicos, como a competição por recursos naturais; crise financeira: a instabilidade financeira pode afetar a economia brasileira; erosão da coesão social: a desigualdade social e a pobreza podem aumentar; doenças infecciosas: a pandemia de Covid-19 mostrou a nossa vulnerabilidade a doenças infecciosas; mudanças demográficas: o envelhecimento da população brasileira pode afetar a economia e o sistema de saúde; corrupção e instabilidade política, que afetam a governança e a economia brasileira.
Enfim, a gestão desses riscos será fundamental para o desenvolvimento sustentável do Brasil.