Diário da Região
CONJUNTURA

Intervenções militares

por Ary Ramos da Silva Júnior
Publicado há 18 horasAtualizado há 11 horas
Ary Ramos (Divulgação)
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Ary Ramos (Divulgação)
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O ano de 2026 começou com grandes inquietações na sociedade internacional, a intervenção militar dos Estados Unidos na América Latina gerou instabilidades na economia internacional, impactando sobre o direito internacional, gerando incertezas em todas as regiões do mundo, depois da Venezuela qual nação será atacada militarmente pelo todo-poderoso governo norte-americano? Alguns comentaristas e especialistas fazem apostas de que a próxima nação na mira norte-americana será a Groenlândia, outros acreditam que será Cuba e outros especialistas ainda fazem as apostas no México, na Colômbia e até mesmo o Irã.

Difícil responder esta questão, mas, ao mesmo tempo, percebemos que as regras internacionais foram destruídas, reinando a lei da força, com isso, vamos viver, mais intensamente uma grande escalada militar, com aumentos gigantescos nos setores bélicos que podem levar os governos nacionais a reduzirem os dispêndios em políticas públicas para os grupos mais fragilizados das sociedades, impulsionando os desequilíbrios sociais e, para resolver essa situação, o remédio é mais repressão, mais violências internas e mais liberalização do porte de armas.

Vivemos numa sociedade global marcada pela escalada da violência militar generalizada, onde as regras multilaterais, construídas no pós-Segunda Guerra Mundial (1945), estão sendo devastadas rapidamente, organismos multilaterais criados para melhorar a convivência entre as nações perderam espaço no cenário global. A Organização da Nações Unidas (ONU) perdeu relevância, a Organização Mundial do Comércio (OMC) se fragilizou e perdeu espaço no comércio internacional, acordos internacionais foram abandonados, desta forma, estamos caminhando a passos largos para um mundo sem regras, ou melhor, as regras serão definidas para as nações que tiverem poder para impor seus interesses militares imediatos, ao contrário, as outras nações, frágeis militarmente e dependentes tecnologicamente, se restringiriam a serem verdadeiros vassalos.

As intervenções militares impactam sobre toda a sociedade global, atualmente, os especialistas em geopolítica denunciam que, na contemporaneidade, o mundo apresenta mais de 130 conflitos militares, um número preocupante que impacta sobre todas as regiões do mundo, aumentando as imigrações, devastando a economia local, impulsionando os confrontos culturais e xenofobias.

Um estudo conduzido e publicado por especialistas da Universidade Estadual de Bridgewater (Massachusetts/Estados Unidos), no período entre 1776 e 2019, com grande concentração após a Guerra Fria, identificaram quase 400 intervenções militares (incluindo operações menores) dos Estados Unidos no mundo, corroborando que a intervenção atual norte-americana na América Latina e as ameaças em todas as regiões podem reviver tristes memórias de conflitos fratricidas, destruições generalizadas e violências políticas.

Ao rever a história e refletirmos sobre as intervenções militares dos Estados Unidos, precisamos evitar comentários favoráveis e apaixonados, acreditando que a intervenção militar tenderá a gerar liberdades e democracias nas nações invadidas, ainda é muito cedo e precisamos estudar e refletir sobre os impactos mais estruturados, vale a pena lembrar os casos do Iraque e Afeganistão, será que a intervenção norte-americana trouxe alívios e crescimento econômico para estes países?

No começo do século XX os povos invadidos foram os iraquianos e os afegãos, atualmente os venezuelanos estão na berlinda, quem será o próximo? Esperamos que nosso país não esteja na mira dos norte-americanos, afinal muitos indivíduos que apoiaram a invasão podem sentir na pele a violência gerada pelos invasores.

Ary Ramos da Silva Júnior

Bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e Professor Universitário.