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Inteligência emocional, o coração da educação

Quando a escola valoriza apenas o desempenho cognitivo, corre o risco de silenciar o emocional

por Letícia Cabreira
Publicado há 1 horaAtualizado há 1 hora
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Educar é mais do que transmitir conteúdo, é um ato humano. Em um mundo acelerado, as escolas são pressionadas por metas e rankings, exigências legítimas, porém insuficientes sem o cuidado com o desenvolvimento emocional dos alunos. Como afirma Daniel Goleman, “O sucesso na vida depende mais da capacidade de lidar com as emoções do que do quociente intelectual”. Ignorar essa dimensão é limitar o sentido da educação.

É urgente repensar o papel da educação. Inteligência emocional não pode ser conteúdo secundário ou projeto isolado. Precisa ser eixo estruturante. Ensinar emoções é ensinar empatia, tomada de decisão, resiliência e consciência. É preparar o aluno para lidar com a própria humanidade antes de enfrentar o mundo.

Essa reflexão não é uma crítica às escolas, mas um convite a aprofundar seu propósito. Professores convivem diariamente com alunos que carregam, nas mochilas, além dos livros, medos, inseguranças, comparações e frustrações. Quando essas dimensões não são acolhidas, o aprendizado se torna mais pesado, fragmentado e, muitas vezes, doloroso.

Baruch Spinoza, filósofo, defendia que compreender as próprias emoções amplia a liberdade e a consciência. Martha Nussbaum, por sua vez, afirmava que as emoções integram o julgamento moral e o reconhecimento do outro, reforçando que educá-las é condição para uma educação verdadeiramente humana.

Quando a escola valoriza apenas o desempenho cognitivo, corre o risco de silenciar o emocional. Alunos aprendem a responder provas, não a lidar com o erro; a competir, não a cooperar. Dominam conteúdos complexos, mas não aprendem a reconhecer o que sentem, não por falta de capacidade, mas de espaço.

Nesse processo, a parceria com as famílias é essencial. Muitos pais também não aprenderam a lidar com as próprias emoções e seguem em construção.

Quando escola e família caminham juntas, a criança entende que sentir é permitido, que errar faz parte do crescimento e que pedir ajuda é um ato de coragem.

Portanto, em uma era marcada pelo avanço da inteligência artificial, a educação se vê diante de um paradoxo revelador. Criamos máquinas capazes de aprender, calcular, prever e decidir com rapidez, entretanto seguimos falhando em ensinar seres humanos a reconhecer e compreender suas próprias emoções. Enquanto algoritmos evoluem, pessoas adoecem emocionalmente. Essa contradição revela uma verdade essencial: nenhuma tecnologia substitui a inteligência emocional.

Letícia Cabreira

Educadora, da UMA.