Inteligência Artificial

Nos últimos 30 anos, a sociedade internacional passou por grandes transformações estruturais, com impactos generalizados para todas as nações, modificando comportamentos, alterando hábitos e inaugurando modelos de negócios, gerando desafios e oportunidades, além de causar calafrios, desesperos e medos crescentes.
Vivemos num mundo dominado pelas grandes tecnologias e pelo poder do capital financeiro, presenciamos cotidianamente o surgimento de máquinas e equipamentos sofisticados, que estão se espalhando para todas as regiões. Diante disso, estamos percebendo o surgimento e a disseminação de novos conceitos, alterando o vocabulário dos indivíduos, conceitos como: robótica avançada, computação quântica, data centers, criptomoedas, tokenização, computação em nuvem, impressão 3D, inteligência artificial, internet das coisas, algoritmos, dentre outros. Estes novos conceitos estão aparecendo nas conversas cotidianas, nas discussões acadêmicas, nas matérias jornalísticas e nas redes sociais.
Todas estas tecnologias estão transformando a sociedade internacional, levando os indivíduos a se preocuparem com o futuro imediato. As pessoas estão com receio de se tornarem obsoletas rapidamente. As novas tecnologias estão transformando o mundo do trabalho, gerando novas ocupações. Profissões surgem todos os dias e, muitas vezes, as atividades profissionais tradicionais estão sendo devastadas rapidamente e esquecidas pelas novas gerações, gerando um desemprego estrutural e uma verdadeira precarização do trabalho humano, gerando uma fábula da descartabilidade humana, contada e combatida pelos ludistas ingleses no decorrer do século XIX.
Como definido pelo Gemini, a “Inteligência Artificial (IA) é um campo da ciência da computação dedicado ao desenvolvimento de sistemas e tecnologias capazes de realizar tarefas que, tradicionalmente, exigiriam a inteligência humana. Em termos práticos, em vez de seguirem apenas regras estritas e linhas de código estáticas, esses sistemas aprendem com dados, identificam padrões e tomam decisões de forma autônoma ou semi-autônoma”.
O incremento da Inteligência Artificial está se transformando em um dos grandes desafios para a comunidade internacional, encontramos variadas posições sobre o crescimento desta tecnologia. De um lado, encontramos os catastrofistas, que acreditam que a Inteligência Artificial vai aumentar as destruições do emprego, fomentando novos conflitos sociais, e as previsões são sombrias e preocupantes. De outro lado, encontramos os chamados entusiastas, que acreditam que esta tecnologia vai impulsionar o desenvolvimento da economia global, trazendo melhoras substanciais para a comunidade mundial, impactando a saúde e as políticas públicas, diminuindo os desperdícios e impulsionando as melhorias sociais.
Neste cenário marcado por dúvidas e discussões, é importante descartarmos as visões extremadas que pululam nos debates contemporâneos e estimularmos a compreensão dos verdadeiros potenciais da Inteligência Artificial, fortalecendo a regulação social desta nova tecnologia, impedindo a monopolização desta tecnologia nas mãos de poucos atores produtivos globais, evitando que os investimentos exagerados levem a construção de uma verdadeira bolha especulativa que pode gerar graves constrangimentos para toda a economia internacional, destruições de empregos, falências de empresas e obrigando a intervenção dos governos nacionais a socializar os prejuízos, gerando graves desfalques nos orçamentos públicos e salvando da bancarrota grupos dominantes que, com sua irracionalidade, levaram crises financeiras ao sistema, com a destruição de empregos e a degradação das condições de vida de milhões de indivíduos.
A tecnologia sempre gerou preocupação para os trabalhadores. Anteriormente, esta tecnologia impactava os trabalhadores pouco qualificados. Agora, a tecnologia está mirando os engravatados, os consultores e os bem remunerados do capital. Neste ambiente, as preocupações com a saúde mental tendem a permanecer por muito tempo.
Ary Ramos da Silva Júnior
Bacharel em Ciências Econômicas e Administração, mestre, doutor em Sociologia e professor universitário