Indústria, história e futuro
A indústria regional tem passado, presente e futuro; e cabe a nós garantir que ela continue gerando oportunidades, riqueza e qualidade de vida

No Dia da Indústria, celebrado em 25 de maio, não vejo apenas uma homenagem. Vejo um chamado. Sem indústria forte, não existe cidade forte. É a indústria que transforma matéria-prima em produto, produto em renda, renda em consumo e trabalho em dignidade.
No Noroeste Paulista, essa história começou no campo. São José do Rio Preto nasceu em 1852 como uma região essencialmente agrícola, marcada por café, algodão, arroz, amendoim e pecuária — e, posteriormente, pela cana, laranja e látex. A mudança decisiva veio com a estrada de ferro, em 1912. Foi o trem que colocou a região no mapa econômico, abriu mercados, fortaleceu o comércio e criou as condições para o surgimento da indústria.
A industrialização local nasceu dessa conexão. A instalação da Swift, em 1944, simboliza essa virada: deixamos de apenas produzir matéria-prima e passamos a agregar valor. Vieram outras empresas, a instalação do Ciesp regional em 1967, o Distrito Industrial Waldemar Oliveira Verdi em 1969, os minidistritos e, com eles, uma estrutura produtiva que transformou a economia regional.
Hoje, o Ciesp Noroeste Paulista representa 102 municípios, cerca de 4,5 mil indústrias e uma população de 1,59 milhão de pessoas. A indústria responde por 23,1% dos mais de 434 mil empregos formais da região e segue como a principal base de sustentação econômica. Falar de indústria é falar de empregos, de famílias, de arrecadação e de desenvolvimento.
Nossa região é diversificada e competitiva. Temos força nos setores de alimentos, bebidas, biocombustíveis, metalurgia, móveis, plástico, borracha, saúde, farmacêutico, confecção, material cirúrgico e transporte. E é importante deixar claro: quando uma indústria cresce, ela movimenta toda a cadeia produtiva — do campo à logística, da tecnologia à prestação de serviços.
Mas também é preciso reconhecer que a indústria que nos trouxe até aqui não será suficiente para nos levar adiante. As novas exigências ambientais, a economia de baixo carbono, a logística reversa, a automação, a inteligência artificial e a indústria 4.0 já estão redefinindo a forma de produzir. Não é mais uma escolha: é uma necessidade. Quem não se adaptar ficará para trás.
Por isso, defender a indústria hoje é defender condições reais de competitividade. Precisamos de distritos industriais estruturados, energia segura, conectividade, crédito acessível, infraestrutura eficiente e, principalmente, formação de mão de obra qualificada. A aproximação com o Senai, universidades e centros de pesquisa é fundamental para preparar pessoas para essa nova realidade.
Também é essencial integrar os setores. O agro é forte — mas se torna ainda mais forte quando se conecta com a indústria, agregando valor em alimentos, energia, tecnologia e produtos de maior valor agregado. É essa integração que sustenta o desenvolvimento regional.
Para valorizar essa trajetória, o Ciesp Noroeste Paulista realiza, de 18 a 31 de maio, no Rio Preto Shopping, a exposição “São José do Rio Preto e o Noroeste Paulista na história da industrialização”. A proposta é mostrar, de forma clara e acessível, como a ferrovia, a industrialização, o associativismo e a organização produtiva construíram a região que temos hoje.
A indústria regional tem passado, presente e futuro. E cabe a nós garantir que ela continue gerando oportunidades, riqueza e qualidade de vida.
Porque, no fim, não existe desenvolvimento sem produção. E não existe produção sem uma indústria forte, preparada e valorizada.
Aldina Clarete D'Amico
Diretora-titular do Ciesp Noroeste Paulista