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ARTIGO

Ilegal? Talvez. Imoral?...

Por que não homenagearam aqueles que viveram e que fizeram tanto pela saúde da cidade?

por Fabricio Mazocco
Publicado há 3 horasAtualizado há 3 horas
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Como tudo que lhe interessa, a Prefeitura Municipal de uma cidade da região de Rio Preto e seu prefeito midiático (usando o termo usado com maestria pela colunista do Diário da Região Maria Elena Covre), mesmo que as mídias divulgadas sejam de qualidade questionável, colocaram nos holofotes a inauguração de uma sala de Raio-X no hospital que recebeu o nome de um deputado estadual de São José do Rio Preto.

Tirando o fato de que a placa trazia o nome do político grafado de forma errada, levando a mais um gasto com uma nova, há algumas questões a serem levantadas neste espaço democrático (diferente das redes sociais institucionais da prefeitura dessa cidade, que me bloqueou de forma abrupta, sem nenhum diálogo).

Que pese a proibição de homenagem a uma pessoa viva - haja vista que há uma legislação que versa sobre o assunto e que a unidade hospitalar, mesmo não sendo da administração direta, recebe dinheiro público (inclusive o equipamento é oriundo dos cofres públicos) -, o homenageado é um político, o que pode-se entender como uma campanha antecipada. Mas essa questão da legalidade ou não fica por conta da área jurídica.

Com todo respeito ao homenageado, mas esse município possui, em seus quase 100 anos de emancipação, nomes que fizeram história na saúde. Alguns já homenageados em algumas situações, outros não. Não só eles tiravam dinheiro do próprio bolso para comprar equipamentos, como vários provedores que se dispuseram a pagar até lençol e itens básicos para a unidade. O próprio antigo Raio-X que serviu à cidade por muitos anos foi comprado por um médico. Assim como tantos outros equipamentos foram doados.

Por que não foram homenageados aqueles que viveram e que fizeram tanto pela saúde da cidade? Por que não preservar a história dessa cidade dando nome a quem realmente trabalhou em prol do município? O ato foi uma homenagem ou um ato político? Como dizem por aí: “perguntar não ofende” (ou não deveria).

A alegação da homenagem foi pelo destino da emenda, que é recurso público. Então podemos entender que, a partir de agora, quem destinar recursos será homenageado? Qual valor necessário para receber uma homenagem? Se o governo federal encaminhar recurso para algo específico, o presidente terá seu nome homenageado?

Nenhum gestor público deve tratar uma cidade como palco ou trampolim de carreira política. Ser gestor é ouvir a cidade, é manter viva e preservar a história do município.

Fabricio Mazocco

Natural de Urupês, jornalista e doutor em Ciência Política.