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ARTIGO

IA Regenerativa: tecnologia com propósito

O conceito de regeneração tecnológica tem relação direta com sustentabilidade e impacto social

por Marco Aurélio Beltrame
Publicado há 17 horas
Marco Aurélio Beltrame (Divulgação)
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Marco Aurélio Beltrame (Divulgação)
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A Inteligência Artificial (IA) vive uma nova fase de evolução, a era da IA Regenerativa. Se a IA Generativa revolucionou o modo como criamos e processamos informações, a IA Regenerativa amplia essa transformação, propondo um uso mais consciente, sustentável e humano da tecnologia. Ela não se limita a gerar resultados; seu propósito é restaurar, reconstruir e fortalecer sistemas, tornando-os mais eficientes, adaptáveis e equilibrados.

Diferente da automação tradicional, que apenas repete padrões, a IA Regenerativa aprende de forma contínua e busca regenerar o ambiente em que atua. Isso significa que ela não apenas corrige falhas, mas identifica causas, propõe soluções e implementa melhorias de maneira autônoma. Trata-se de uma inteligência capaz de evoluir com o tempo, absorvendo dados e contextos para aprimorar sua própria atuação.

O conceito de regeneração tecnológica tem relação direta com sustentabilidade e impacto social. Em vez de explorar recursos de forma linear, a IA Regenerativa estimula um ciclo de aprendizado e recomposição, no qual a tecnologia contribui para restaurar ecossistemas, otimizar o uso de energia, reduzir desperdícios e fortalecer modelos de negócio mais éticos e resilientes. No agronegócio, por exemplo, já existem sistemas que analisam o solo e sugerem práticas regenerativas de cultivo; na indústria, algoritmos ajudam a minimizar perdas e reduzir a pegada de carbono.

Essa abordagem também redefine o papel das pessoas na transformação digital. Ao liberar profissionais de tarefas repetitivas, a IA Regenerativa amplia o espaço para a criatividade, a empatia e o pensamento estratégico. A tecnologia passa a ser parceira do desenvolvimento humano, e não substituta. Com isso, o foco deixa de ser apenas produtividade e passa a ser propósito, equilíbrio e regeneração.

O grande desafio está em preparar dados, processos e culturas organizacionais para essa nova fase. Implementar IA Regenerativa exige maturidade digital, governança ética e transparência nos algoritmos, garantindo que o aprendizado das máquinas seja confiável e responsável.

Mais do que uma evolução técnica, a IA Regenerativa representa uma mudança de mentalidade: a de que inovar não é apenas criar o novo, mas reconstruir o que importa. É um convite para usar a inteligência artificial como ferramenta de regeneração, dos negócios, do planeta e das relações humanas.

Marco Aurélio Beltrame

Diretor-geral da Totvs Oeste