Evolution ou tornado?
É importante olharmos o nosso entretenimento com mais responsabilidade

"Nóis vai descer, vai descer. descer lá pra BC no finalzin do ano. os bombonzin tão bronzeando pra eu chegar e morder – quer dançar, quer dançar. o tigrão vai te ensinar. quer dançar, quer dançar. o tigrão vai te ensinar".
A pequena acorda.
O som das ruas chega claramente ao décimo segundo andar de um apartamento, descobrimos na primeira semana. Da janela, vê-se uma carreta desconexa de ruídos e pessoas.
Olhamos bem e quanto mais olhávamos, reconhecemos um fofão humano no teto do caminhão, quando de lá, com seus próprios joelhos, saltou em piruetas ao chão e tudo tornou-se mesmo um disparate.
A vida é rara, mas nela estavam pessoas vestidas de quase a caber na carroceria. Eufóricas, gritavam e aplaudiam a personagem brasileira da cultura televisiva da década de 80 – na morte estava o máximo do êxtase da diversão.
Pensamos: um desastre acontecerá e vem acontecendo, intervenho, por onde andamos, se é que vamos?
Os termos tornado e evolution poderiam ter até o mesmo significado, o mesmo poder de destruição, ou não foi por evolução a que chamaram por muito tempo o processo colonizador civilizatório? Destrói tudo, não fica pedra sobre pedra, povo sobre povo, para o favorecimento do capital! Por ande andávamos, se é que chegamos?
As carretas, percorrem as principais avenidas e pontos turísticos de São José do Rio Preto. Com sons altos e músicas ofensivas, passam por trechos movimentados da cidade; contornam quarteirões apertados, próximos a casas e pessoas; carregam crianças sem nenhuma proteção; utilizam de músicas altas próximo a hospitais; expõe seus trabalhadores a riscos graves.
Ao que parece, tudo isso sem fiscalização e com o aval das autoridades e parte da sociedade civil.
Tem sido recorrentes acidentes envolvendo carretas e trenzinhos da alegria pelo Brasil, além de brigas e confusões de seus organizadores e usuários, sendo importante que os governantes tomem precauções sobre esse tipo de lazer na cidade, evitando, assim, condições de riscos sérios aos trabalhadores, usuários e cidadãos.
É importante olharmos o nosso entretenimento com mais responsabilidade. Diversão é bom, mas com proteção, respeito e consideração por toda uma comunidade. Se há risco para parte da aldeia, é melhor que existam mais regulamentos e regras formando ruas mais seguras.
No entanto, se formos nos atentar às escolhas perpassadas pela história, foi preferido mesmo é acabar com as aldeias.
Ingrid Riguetto
Participante do coletivo Mulheres na Política