Diário da Região
CONJUNTURA

Essa tal da inflação

O planejamento financeiro e o orçamento doméstico precisam estar calibrados, pois o salário pode continuar acabando antes do final do mês

por Hipólito Martins Filho
Publicado há 7 horas
Hipólito Martins Filho (Hipólito Martins Filho)
Galeria
Hipólito Martins Filho (Hipólito Martins Filho)
Ouvir matéria

Os alimentos em 2025 subiram menos que a inflação média de 2024, a produção recorde de grãos, acomodação dos preços internacionais via queda do dólar seguraram a alta interna. Já no acumulado desde 2019, houve uma alta de 76%, acima da inflação média. Após um período de forte aceleração dos preços, a inflação dos alimentos voltou a ficar abaixo do índice geral. Pesquisas mostram que é a terceira vez nos últimos 10 anos que os consumidores têm seus custos menos acentuados com alimentação do que com a média dos demais itens componentes da inflação.

Além do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que é a inflação oficial do Brasil, temos o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), que mede a variação do custo de vida médio das famílias com renda mensal de 1 a 5 salários mínimos (é o índice que reajusta as aposentadorias acima de 1 salário mínimo), há também o IGP-M, que é o Índice Geral de Preços do Mercado, que é utilizado para reajustar contratos de aluguéis residenciais e outros serviços.

O Brasil obteve uma super safra de 354 milhões de toneladas de grãos, houve aumento na produção de alimentos básicos, como arroz e feijão. Ao contrário de anos anteriores, o clima ajudou. O recorde na oferta de carnes, também contribuiu na contenção dos gastos médios dos consumidores.

Em 2024 os alimentos haviam subido 8%. Mas antes de prosseguirmos, vamos ver como é calculado o IPCA e qual o peso dos seus componentes no cálculo da inflação. O IPCA é calculado com base em uma pesquisa mensal de preços em 13 áreas urbanas do país, abrangendo cerca de 430 mil preços em 30 mil locais. A pesquisa considera a variação de preços de uma cesta de produtos e serviços mais consumidos pelas famílias brasileiras, incluindo: alimentação e bebidas: 25.2% do peso no cálculo, habitação: 15.6% (incluindo aluguel), transporte: 18.6% (incluindo combustíveis), saúde e cuidados pessoais: 13.3% (incluindo remédios, planos de saúde), energia elétrica: 3.2% e outros.

O peso de cada item no cálculo do IPCA é determinado pela pesquisa dos orçamentos familiares (POF), que verifica o que a população consome e quanto do rendimento familiar é gasto em cada produto. O IPCA é utilizado como referência para as metas de inflação e alterações nas taxas de juros. Quanto maior a inflação, menor o poder de compra da população, é um imposto regressivo, ou seja, pesa mais para quem ganha menos.

Vamos ver o aumento de alguns preços dos alimentos entre janeiro de 2019 e dezembro de 2025: café: 236% , óleo de soja: 188% , mamão: 136% , açúcar: 135%, alface: 102% , fubá: 94%, frango: 93%, carne bovina: 93%, carne suína: 92%, ovos: 88%, refeição fora: 83%, arroz: 80%, leite: 68%, feijão: 61%, pãozinho: 62%, combustíveis: 40%, planos de saúde: 51%, mensalidade escolar:55%.

A inflação geral do período foi de 46%, a inflação de alimentos geral foi de 76%, agora procure saber quanto o seu salário subiu neste período. A inflação sobre os alimentos foi menor em 2025, mas não deixou de subir,mas em 2026 a pressão sobre os preços voltará, as proteínas animais (carnes) terão uma boa contribuição nesta alta, o que acaba provocando o aumento de preços em outras proteínas, via aumento de demandas.

As projeções mostram que teremos uma safra de grãos menor em 2026, mas ainda suficiente para conter as disparadas de preços. A Leme Consultores projeta uma inflação de alimentos de 6.1% em 2026, isto se o câmbio se comportar de forma satisfatória o clima não complicar e as incertezas de um ano eleitoral e cenário internacional não jogarem contra. É preciso atenção, o planejamento financeiro, o orçamento doméstico precisam estar calibrados, pois, o salário pode continuar acabando antes do final do mês.