Enganando a si mesmo
Negar a realidade pode ser uma reação natural, mas corrói a nossa capacidade de evoluir

"Mentir para si mesmo é sempre a pior mentira". Renato Russo
Mentir para si é chamado de autoengano E sim, pode ser a pior mentira que contamos, pois esconde nossas imperfeições, erros, preconceitos e inconsistência de personalidade. Ao contrário da mentira simples, o autoengano é uma atitude recorrente e, depois de algum tempo, se torna até automática. Algo que superficializa as relações e complica muito a ideia de realidade sobre si mesmo.
Assim, a pessoa passa a realmente acreditar nas mentiras e enganações que produz sobre ela mesma, o que estabelece uma relação interna tóxica. Ao longo da vida, estamos constantemente tentados a enganar nosso próprio coração, a evitar confrontar a verdade em busca de um conforto temporário. Mas essa "autolisonja", que por vezes parece ser um alívio, costuma ser uma armadilha disfarçada de proteção.
Negar a realidade pode ser uma reação natural diante do medo do fracasso, da dor ou da incerteza, mas esse processo acaba corroendo a nossa capacidade de evoluir. Quando mentimos para nós mesmos, criamos uma ilusão confortável de controle, mas o preço dessa negação é alto: a perda de clareza sobre quem realmente somos, o afastamento dos nossos verdadeiros desejos e, muitas vezes, o sentimento de estar estagnado na vida.
Reconhecer a verdade sobre nós mesmos é um desafio. Muitas vezes, encaramos realidades desconfortáveis, como um emprego que já não nos preenche, um relacionamento que não contribui mais para nosso crescimento ou hábitos que nos afastam dos nossos objetivos. Porém, é somente ao enfrentarmos esses aspectos com honestidade que temos a chance de mudar. E essa mudança só é possível quando abraçamos a verdade, por mais dura que ela seja.
Ser sincero consigo mesmo não é uma atitude punitiva, mas sim um ato de respeito próprio. A sinceridade nos permite entender nossas fraquezas sem nos condenar por elas. Ao contrário do que muitos pensam, a autocrítica não precisa ser destrutiva; ela é, na verdade, a base do crescimento pessoal. Aceitar nossas limitações é tão importante quanto reconhecer nosso potencial para superá-las.
Quem não mente para si mesmo vive com mais integridade. Não carrega as máscaras que, muitas vezes, a sociedade exige. A verdade nos liberta de ilusões e nos permite tomar decisões mais conscientes, mais alinhadas com nossos valores e objetivos reais.
E, por mais que o processo de autoaceitação seja desafiador, ele traz uma leveza que poucos imaginam. A vida se torna mais verdadeira, mais simples e, principalmente, mais plena.
Há como trabalhar contra o mentira sobre si mesmo? Sim. Há. Busque refletir e aceite mais opiniões sobre sua conduta. Principalmente se elas forem frontalmente contrárias a como você se vê.
Conhecer os próprios limites e não esconder debaixo de nosso tapete moral nos faz evoluir. Coragem para tal é olhar no espelho, assumir os limites e determinar-se a ser melhor hoje do que fomos ontem.
Carlos Fett
Consultor Empresarial e em Franchising. Mentor em Comunicação.