Empresários precisam agir para não parar em 2026
Empresas preparadas entrarão em um novo ambiente tributário mais moderno

Desde 1º de janeiro de 2026 já está em vigor a primeira fase da Reforma Tributária do consumo, que transforma a forma como empresas registram, calculam e informam seus impostos ao governo. Para milhares de negócios, especialmente pequenos e médios, a falta de preparo pode significar o travamento de operações.
O novo modelo substitui gradualmente tributos existentes, como ICMS, ISS, PIS e Cofins, e inaugura a estrutura do IBS e da CBS. Isso exige um redesenho completo dos documentos fiscais eletrônicos, com novas regras de cálculo, códigos e exigências de transparência. Embora o impacto financeiro inicial seja menor devido ao período de transição, a obrigação acessória será imediata: toda empresa deverá emitir notas fiscais compatíveis com o novo padrão digital.
Caso o sistema fiscal não esteja atualizado ou integrado às novas diretrizes, a nota poderá ser rejeitada. Na prática, isso significa perda de vendas, cancelamento de pedidos, interrupção logística e atraso em recebimentos. Em setores dependentes de giro diário, como varejo, atacado e prestação de serviços, isso pode comprometer empregos, contratos e a própria existência do negócio.
A Reforma Tributária também fortalecerá o cruzamento de dados entre governo e contribuintes. Informações contábeis, fiscais e operacionais serão analisadas em tempo real, reduzindo espaço para inconsistências e aumentando o rigor da fiscalização. Empresas com processos manuais, planilhas paralelas ou controles fragmentados enfrentarão obstáculos adicionais para atender às novas exigências.
A adequação técnica não se limita a sistemas de gestão. A mudança exige revisão de cadastros, reorganização de centros de custos, alinhamento com fornecedores e clientes, padronização de códigos fiscais, atualização documental e treinamento interno. Para muitas organizações, o desafio não será apenas tecnológico, mas cultural: exigirá maior governança, disciplina operacional e entendimento das novas regras.
O ano de 2026 funcionará como uma vitrine. Empresas preparadas entrarão em um novo ambiente tributário mais moderno, transparente e padronizado, com ganhos potenciais de eficiência e redução de burocracia ao longo dos próximos anos. Aquelas que se moverem lentamente podem se ver excluídas de oportunidades, incapacidades de faturar e vulneráveis a penalidades.
Além de modernizar obrigações fiscais, a Reforma deve favorecer competitividade e equilíbrio econômico entre estados e municípios, reduzir distorções e estimular investimentos. O país deixará para trás um sistema considerado um dos mais complexos do mundo e caminhará para um modelo alinhado às economias mais desenvolvidas.
A Reforma Tributária não é apenas uma discussão jurídica; é um divisor de águas para quem produz, vende e gera empregos. Ignorar essa transição pode custar caro. Estar pronto é mais do que uma necessidade: é o caminho para continuar operando.
Marco Aurélio Beltrame
Diretor-geral da Totvs Oeste.