Em cena, o voto
Fato é que existem escolhas que fazemos e que nem percebemos o quão importantes são

Começamos o mês de junho de um ano importante, pois vamos executar o exercício do voto – uma conquista de muitas lutas. O voto será o protagonista do ano. Por meio dele, tudo em nossas vidas será definido.
Maria Helena, por certo, irá dizer: “Já estou de olho em quem vai sair candidata”; Lucas vai comentar: “Eleição complicada, né? Vamos ter que escolher cinco representantes, além de dois vices que virão no ‘combo’”; há quem vá dizer: “Hã? Vai ter eleição este ano?” E tem quem nem quer saber, e a eleição passa ao largo, deixando de ser um compromisso, resultando na famosa abstenção, que, na última, em nossa cidade, ficou nos 22%.
Fato é que existem escolhas que fazemos e que nem percebemos o quão importantes são - nosso voto é uma delas. E, votando ou não, as consequências virão. Podemos fazer uma lista dos vários tipos de votos: o despreparado mesmo – que surgiu pra “cumprir tabela”, o “meu chefe” mandou; o responsável - consciente das consequências; o do rabo preso: praticamente um “voto de cabresto”; o estreante – nem por isso inconsequente; o pechinchado, o que não quer sair perdendo, dentre outros tantos.
Porém, sendo muitos os motivos a determinar nossas escolhas, corremos o risco de perder a essência do ato. Banalizar o voto é alienar-se da vida em comum e desconsiderar o percurso histórico de nossas conquistas, deixando a democracia vazia de sentido, o que contribui para desgastar nossas instituições e oportunizar o surgimento de governos tirânicos.
Mas, se você tivesse que responder sobre qual a importância do voto, a resposta talvez não viesse de imediato. E isso não significa despreparo, mas a certeza de que algumas perguntas merecem maior reflexão sobre a resposta. O processo de “estar no mundo” apresenta sua dimensão política quando traz o sentimento de pertencimento, e temos, no período eleitoral, um momento que pode favorecer esta percepção.
Fiquemos, então, no campo da pertinência do voto, da sua importância coletiva, de modo a nos colocarmos disponíveis para entender as diferentes necessidades da população e não só as nossas. Definir o que pode ir na mesa do almoço dos brasileiros, por exemplo, envolve todo um processo de relações entre vários segmentos da sociedade e pode, justamente, ser definido no momento do voto. Levemos em consideração o trecho da música de Gonzaguinha: “somos nós que fazemos a vida, como der, ou puder, ou quiser”. E, quando você dá valor ao seu voto, o protagonista é você, sujeito definidor da história vindoura.
Luciana Bonosque Figueiredo
Pedagoga, compõe o “Coletivo Mulheres na Política”.