Diário da Região
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Economia Complexa

por Ary Ramos da Silva Júnior
Publicado há 1 horaAtualizado há 1 hora
Ary Ramos da Silva Júnior (Ary Ramos da Silva Júnior)
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A sociedade global vem percebendo grandes transformações no mundo do trabalho, onde ocupações tradicionais estão sendo destruídas, fragilizadas e reinventadas, exigindo dos setores produtivos novas habilidades, novos valores e novos comportamentos. Estas transformações estão revolucionando a relação entre capital e trabalho, gerando preocupações constantes, ansiedades, medos e transtornos variados.

Nesta sociedade, percebemos inúmeros questionamentos sobre o mundo do trabalho, desta forma, o trabalho vem sendo transformado muito rapidamente e essas transformações exigem mais qualificação e mais capacitação dos trabalhadores, demandando fortes investimentos sociais e políticas públicas em prol do trabalho, sob pena de serem alijados do mercado de trabalho e, sem salário, sem renda, sem esperanças e sem perspectivas, desta forma, muitos tendem a se albergar nas marquises dos espaços urbanos, aumentando o contingente de moradores de ruas, elevando a violência e a exclusão social.

Neste cenário, todas as nações que fizeram fortes investimentos em educação, priorizando os setores de ciência e de tecnologia colheram retornos excepcionais, com aumento, substancial, da complexidade econômica. Estes investimentos produtivos criaram as condições para melhorar o perfil de suas economias, industrializando seus setores produtivos e garantindo retornos elevados na estrutura econômica, impulsionando empregos melhores, salários mais elevados e contribuindo para a melhora das condições de vida da população.

Alguns países fizeram investimentos elevados em educação e deixaram de lado uma estratégia mais efetiva de industrialização econômica, embora a indústria não consiga gerar mais empregos como em períodos anteriores, o incremento da complexidade econômica contribui para aumentar a produtividade da economia, produzindo produtos mais elaborados, exportando bens e serviços mais complexos e mais dinâmicos, além de garantir retornos monetários elevados.

As nações que se caracterizam por serem exportadores de produtos primários de baixo valor agregado tendem a se perpetuar nesta equação perigosa, demandam pouca mão-de-obra e absorvem poucos trabalhadores qualificados na estrutura produtiva, além de importarem tecnologias externas e pouco investem em inovação, desta forma, os trabalhadores mais qualificados, dotados de curso superior e mais capacitados, são empurrados para outras nações em busca de um emprego melhor ou são absorvidos pelas empresas de aplicativos e se transformam em motoristas, sendo explorados, recebendo salários degradantes, fortemente endividados, sem direitos sociais, sem proteção previdenciária e sem perspectivas futuras, criando uma legião de trabalhadores desesperançados e, ao relatar sua história, contribuem negativamente para que milhões de estudantes abandonem as escolas e os estudos, sobrevivendo sem horizontes e, muitas vezes, como verdadeiros analfabetos funcionais.

Aumentar a complexidade da economia nacional demanda uma sólida estratégia de desenvolvimento e uma grande maturidade institucional, o investimento em capital humano é imprescindível, atrair os setores produtivos para a construção de uma transformação estrutural da economia é fundamental, reduzir o poder dos grupos econômicos e políticos que ganham com essa situação de subserviência e de desesperança que vivenciamos atualmente, além de atrair as universidades e as faculdades na construção de uma mão-de-obra capacitada e consciente dos desafios contemporâneos, evitando excesso de profissionais despreparados e estimularem setores centrais para a economia do conhecimento. Num momento de grande desenvolvimento tecnológico, de grandes alterações do mundo do trabalho e de grandes transformações geopolíticos, a indústria deve ser fortalecida e impulsionada, sem ela, continuamos importando tecnologias, seguindo cartilhas que perpetuam o subdesenvolvimento e impedem nosso potencial na construção de uma economia complexa.

Ary Ramos da Silva Júnior

Bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e Professor Universitário.