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Acabou o Carnaval: e a estratégia começa quando?

Comunicação estratégica sustenta preço, protege reputação e fortalece autoridade

por Allexandre Silva
Publicado em 23/02/2026 às 21:47Atualizado em 24/02/2026 às 00:24
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Todo ano é a mesma coisa. O Carnaval termina, os blocos vão embora, o glitter some (ou quase) e alguém repete a frase: “agora o Brasil começa”.

Sempre achei curioso. Porque, se o Brasil só começa agora, significa que alguém já estava trabalhando antes. E, no mundo empresarial, esse “alguém” normalmente é o concorrente.

Enquanto muitos estão organizando a agenda, respondendo os e-mails acumulados e prometendo que “agora vai”, o mercado não está esperando. Ele já está se reorganizando. Clientes estão comparando. Fornecedores estão avaliando. A concorrência está se mexendo.

E é aqui que entra um ponto pouco discutido: comunicação estratégica não começa quando sobra tempo. Começa quando se entende que ela é parte do negócio — não enfeite dele.

Há uma diferença enorme entre estar presente e estar posicionado.

Estar presente é postar. Estar posicionado é ter direção.

Estar presente é divulgar promoção. Estar posicionado é construir percepção de valor.

Empresas não perdem mercado apenas por falta de qualidade. Perdem porque o mercado não percebe essa qualidade com clareza. E percepção, gostemos ou não, é construída.

Especialmente em regiões economicamente fortes, com tradição industrial e empresarial consolidada, o desafio já não é apenas produzir bem. É comunicar com inteligência.

Qualidade virou pré-requisito e posicionamento virou diferencial. O erro mais comum das empresas médias não é “não fazer comunicação”. É fazer comunicação fragmentada. Um post aqui, uma campanha ali, uma ação isolada acolá — sem linha narrativa, sem coerência, sem estratégia de longo prazo.

É como montar um quebra-cabeça usando peças de caixas diferentes. Até pode parecer bonito à primeira vista, mas dificilmente forma uma imagem clara.

Comunicação estratégica é ativo invisível. Ela sustenta preço, protege reputação, facilita negociação e fortalece autoridade. Não aparece no balanço patrimonial, mas pesa — e muito — na decisão de quem compra, contrata ou investe.

2026 não será definido por quem falar mais alto, mas por quem falar com mais clareza e consistência. Então talvez a pergunta certa, agora que “o ano começou”, não seja apenas quais metas bateremos. Mas qual narrativa estamos construindo.

Porque metas são importantes, mas percepção sustentada é o que garante longevidade.

O Carnaval passou, mas a disputa por relevância começou faz tempo.

Allexandre Silva

Jornalista