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Diga “não” e se respeite

Quando usamos essa pequena palavra com consciência, estamos dizendo “eu escolho”

por Carlos Fett
Publicado há 2 horasAtualizado há 1 hora
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O mais importante que aprendi a fazer depois dos quarenta anos foi a dizer não quando é não”. Gabriel García Márquez

Dizer “não” pode parecer simples. Mas, para muitas pessoas, essa palavra entreabre portas para conflitos internos, dúvidas, culpa. E, no entanto, aprender a dizer “não” é um dos atos mais poderosos de auto-cuidado e respeito próprio que podemos praticar.

Em nossa cultura de “sim” constante, seja ao trabalho, aos amigos, às expectativas externas, o “não” assume o formato de resistência ao esgotamento mental e físico. E é justamente por isso que dizer “não” pode ser tão benéfico. Quando usamos essa pequena palavra com consciência, estamos dizendo “eu priorizo”, “eu escolho”, “eu me respeito”.

Imagine um cenário em que você está cansado, emocionalmente exausto, e surge aquele pedido de mais uma tarefa. Em vez de aceitar automaticamente, você respira, pensa, e responde: “Não posso fazer agora”. Nesse momento, você está reconhecendo seu limite. Está aceitando que não é uma fonte inesgotável de energia e que sua sanidade importa.

Além disso, ao dizer “não” com clareza, você protege seu tempo. Tempo que pode ser usado para descanso, para estar com quem ama, para cultivar sonhos. Tempo não gasto fazendo o que não deseja ou para somente agradar os demais. E com o tempo, esse hábito gera mais presença e menos dispersão.

Outro ganho: você fortalece suas relações. Pode soar paradoxal, mas dizer “não” no momento certo traz mais confiança aos outros: eles sabem que quando você aceita algo, está genuinamente comprometido. E você evita o desgaste de aceitar por obrigação e acabar falhando ou ressentindo.

Claro, há desafios. O medo da rejeição, o receio de parecer rude, a culpa que ronda. Mas essas sensações também são sinais de que algo precisa mudar. Ou seja, que você está cedendo sem vontade, ou se acostumando a ignorar seus próprios desejos. A boa notícia é que o “não” polido, comprometido e empático existe: não precisa ser grosso, mas deve ser firme. Exemplos de frases simples de como saber dizer não mais facilmente: “Infelizmente não poderei dessa vez”; “Não é o momento para mim”; “Prefiro não me comprometer agora”.

E mais: o “sim” também ganha valor quando você combina com o “não”. Ao recusar o que não serve, você reserva espaço para aquilo que importa — seus projetos, sua saúde, seu crescimento. Então o “sim” deixa de ser automático e ganha intenção, brilho, significado.

Dizer “não” é um gesto de liberdade: liberdade de escolher seus caminhos, de proteger seus limites, de honrar sua vida. Da próxima vez que surgir o pedido, a obrigação, o convite que você não deseja, lembre-se: dizer “não” pode ser exatamente a melhor escolha possível.

Carlos Fett

Consultor Empresarial e em Franchising. Mentor pessoal em Comunicação [email protected]