Diagnóstico precoce da hanseníase salva vidas
Os tratamentos disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS) são eficazes e gratuitos

Janeiro é marcado nacionalmente pelo Janeiro Roxo, campanha dedicada à conscientização, prevenção e combate à hanseníase — doença antiga, historicamente conhecida como lepra, mas que permanece atual e relevante como problema de saúde pública. Apesar dos avanços da medicina, o Brasil ainda ocupa uma posição preocupante: é o segundo país com maior número de casos no mundo, atrás apenas da Índia, e responde por 92% das notificações nas Américas, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Em 2024, foram registrados 172.717 novos casos de hanseníase no mundo, número que reforça a importância do diagnóstico precoce e do acesso à informação correta. A doença é causada por uma bactéria, o bacilo de Hansen, que atinge principalmente a pele e os nervos periféricos. Seus sinais iniciais costumam ser discretos: manchas claras ou avermelhadas, com diminuição ou perda de sensibilidade ao calor, à dor e ao tato. Por não coçarem nem doerem, essas lesões muitas vezes passam despercebidas.
Com a progressão da doença, podem surgir dormência, formigamento e, nos casos mais avançados, comprometimento dos nervos, levando a deformidades, paralisias e problemas oculares. A hanseníase pode se apresentar em formas não contagiosas ou contagiosas, sendo esta última transmitida principalmente pelas vias respiratórias, em contato íntimo e prolongado. Ainda assim, a maioria da população possui resistência natural à doença.
A boa notícia é clara e precisa ser reforçada: a hanseníase tem cura. Os tratamentos disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS) são eficazes e gratuitos. Pouco tempo após o início do tratamento, o paciente deixa de transmitir a doença. Quanto mais cedo o diagnóstico, mais rápida é a cura e menores são as chances de sequelas.
Nesse contexto, a Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp) desempenha um papel fundamental. A instituição mantém um ambulatório especializado em hanseníase, localizado em seu hospital-escola, integrado ao Hospital de Base. O serviço é referência SUS para toda a região da DRS-15, atendendo a população com acompanhamento qualificado, realizado por médicos especialistas e residentes de Dermatologia, um dos programas mais concorridos do país.
Como parte de seu compromisso com o ensino, a pesquisa e a extensão universitária, a Famerp promove, no dia 29, um mutirão gratuito para diagnóstico da hanseníase, aberto à população, das 9h às 16h. A ação integra os projetos de extensão da instituição, que levam a academia para além dos muros da faculdade, aproximando conhecimento científico e comunidade, e reafirmando o papel social de uma universidade pública que retribui ao SUS.
A hanseníase não deve ser motivo de medo, exclusão ou preconceito. Informação, diagnóstico precoce e tratamento adequado são as ferramentas mais eficazes para o controle da doença. Procurar um serviço de saúde ao identificar qualquer sinal suspeito é um ato de cuidado consigo e com a coletividade.
João Roberto Antonio
Professor Emérito da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp) e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD-SP) e Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD).