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Conjuntura

Desemprego e informalidade

por Ary Ramos da Silva Júnior
Publicado em 03/07/2026 às 19:44Atualizado em 03/07/2026 às 20:57
Ary Ramos da Silva Júnior (Ary Ramos da Silva Júnior)
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Ary Ramos da Silva Júnior (Ary Ramos da Silva Júnior)
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O crescimento e o desenvolvimento tecnológicos vêm ganhando espaço na sociedade contemporânea, gerando, de um lado, entusiasmo, excitação e expectativas positivas, mas do outro lado, percebemos uma grande preocupação com as mudanças no mundo do trabalho, contribuindo, imensamente, para a instabilidade e as incertezas que crescem na sociedade global.

No cenário internacional, a sociedade brasileira é compradora de tecnologias. Somos importadores de produtos, bens e mercadorias sofisticadas que dominam o ambiente global e, ao mesmo tempo, somos exportadores de matérias-primas de baixo valor agregado. Avançamos pouco em alguns mercados competitivos, mas continuamos dependentes de tecnologias externas. Compramos máquinas, softwares e equipamentos refinados.

Nossos investimentos em ciência e tecnologia são pífios e, ao mesmo tempo, construímos um ecossistema de inúmeras universidades públicas, altamente qualificadas e dotadas de grande conhecimento em variadas áreas e setores. Mesmo assim, degradamos nosso patrimônio, destruímos nossa infraestrutura científica e expulsamos pesquisadores qualificados para outras regiões do mundo. Desta forma, continuamos dependentes do mercado internacional e perpetuamos, internamente, salários precarizados, informalidade elevada e péssimas condições de sobrevivência.

Nesse contexto, percebe-se que a estrutura de emprego e renda permanece marcada pela precariedade. Embora os dados oficiais indiquem a geração de inúmeros postos de trabalho e apontem para baixos índices de desemprego, observa-se que grande parte dessas vagas é caracterizada por baixos salários, jornadas de trabalho intensas, elevada rotatividade e reduzida proteção social. Como consequência, perpetua-se um cenário de deterioração das relações de trabalho, marcado pelo crescimento da informalidade, pela redução dos rendimentos dos trabalhadores e pelo aumento da exploração da força de trabalho. Além disso, essa realidade exerce forte pressão sobre o sistema de seguridade social, podendo comprometer sua sustentabilidade financeira nas próximas décadas e impor desafios significativos às futuras gerações.

Percebemos ainda governos que estimulam o crescimento econômico mediante uma política fiscal expansionista e, ao mesmo tempo, utilizam uma política monetária restritiva, ou seja, aumentamos os gastos públicos, geramos empregos e informalidade e utilizamos taxas de juros elevadas que impulsionam o endividamento da população. Com isso, os governos adotam políticas públicas para reduzir o endividamento, criando inúmeros refis, o desenrola I, II… até quando?

Vivemos um verdadeiro ornitorrinco, estimulamos a economia, aumentamos os investimentos públicos, construímos políticas públicas exitosas, aumentamos o emprego formal, movimentamos o sistema produtivo, agitamos o mercado de consumo e, posteriormente, percebemos pressões fortes dos preços e o retorno do conhecido monstro da inflação.

Neste cenário, as pressões de preços pressionam a Autoridade Monetária a aumentar as taxas de juros, elevando o endividamento das empresas, dos governos e dos indivíduos, ou seja, estamos correndo atrás do rabo, postergamos decisões estratégicas há décadas, gerando uma verdadeira classe de rentistas e financistas.

Estamos perpetuando um modelo deletério para a sociedade brasileira. Precisamos atacar desequilíbrios estruturais da economia nacional, não aumentaremos a produtividade do trabalhador sem fortes investimentos em ciência, pesquisa e tecnologia. Não conseguiremos reduzir as variadas desigualdades sociais que se espalham na sociedade sem uma verdadeira reforma tributária que impacte sobre a renda e a propriedade.

Não conseguiremos eleger representantes capacitados e conscientes de suas responsabilidades sociais sem uma verdadeira transformação educacional, onde os filhos dos pobres tenham as mesmas oportunidades dos filhos dos ricos.

Como infelizmente todos os requisitos listados anteriormente nos parecem distantes, neste momento de eleições, precisamos escolher entre os candidatos, os menos piores.

Ary Ramos da Silva Júnior

Doutor em Sociologia e professor universitário.