Cuidar do corpo pode ajudar a enfrentar a dengue
Um organismo bem cuidado tende a ter um sistema imunológico mais preparado

Como médica infectologista, acompanho de perto o impacto da dengue na saúde da população, especialmente nos períodos em que os casos aumentam de forma significativa. Uma das dúvidas mais frequentes que escuto no consultório é se manter o corpo saudável realmente ajuda no tratamento da doença. A resposta é sim — e faz diferença. O objetivo deste artigo é alertar a população para a importância de reforçar os cuidados com o corpo antes mesmo do aumento dos casos de dengue, que tradicionalmente ocorre durante o verão.
Do ponto de vista da infectologia, embora hábitos saudáveis não impeçam a infecção pelo vírus da dengue, eles influenciam diretamente a forma como o organismo reage à doença. A dengue não possui um tratamento antiviral específico; o cuidado é basicamente de suporte. Isso significa que a capacidade de resposta do próprio corpo é um fator decisivo na evolução do quadro.
Um organismo bem cuidado, com boa hidratação, alimentação equilibrada, sono adequado e controle do estresse, tende a ter um sistema imunológico mais preparado para enfrentar a infecção. Esses fatores não “curam” a dengue, mas ajudam o corpo a lidar melhor com o vírus, reduzindo o risco de complicações e favorecendo uma recuperação mais eficiente após o período crítico da doença.
É importante destacar que esse cuidado deve começar antes mesmo da infecção. Manter hábitos saudáveis não evita a picada do mosquito, mas prepara o organismo para reagir de forma mais equilibrada caso a doença aconteça. Esse preparo prévio é ainda mais relevante para grupos de risco, como idosos, gestantes, crianças e pessoas com doenças crônicas.
Mesmo pessoas consideradas saudáveis devem estar atentas aos sinais da dengue. Febre alta, dores intensas no corpo, dor atrás dos olhos, cansaço extremo e mal-estar não devem ser ignorados. A automedicação, especialmente com medicamentos contraindicados, pode agravar o quadro e aumentar o risco de sangramentos. A avaliação médica precoce é fundamental para identificar sinais de alerta e evitar formas graves da doença.
Do meu ponto de vista, prevenção, informação e cuidado com o corpo caminham juntos. Eliminar focos do mosquito, usar repelente, adotar medidas de proteção individual e manter hábitos saudáveis é uma combinação simples, mas extremamente eficaz. Preparar o corpo antes do verão é uma atitude consciente que pode reduzir riscos, evitar complicações e, principalmente, salvar vidas.
Dra. Giovana Pena Ferraz
Médica infectologista, com atuação no diagnóstico, tratamento e prevenção de doenças infecciosas.