Cuidar de pessoas é uma decisão estratégica
Falar de bem-estar emocional passa a integrar a estratégia organizacional

A discussão sobre saúde emocional no ambiente corporativo passou a ocupar um espaço central na agenda das organizações, principalmente após a pandemia. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, transtornos mentais como ansiedade e depressão são responsáveis por perdas globais de produtividade estimadas em mais de US$ 1 trilhão por ano. No Brasil, pesquisas recentes indicam o aumento significativo de afastamentos do trabalho relacionados à saúde mental, evidenciando um desafio estrutural para empresas de todos os setores.
Nesse contexto, janeiro, que é tradicionalmente associado a recomeços, reflexões e novos projetos, tornou-se também o mês símbolo dessa pauta por meio da campanha Janeiro Branco. A iniciativa convida as pessoas e as organizações a enxergarem a saúde mental não apenas como uma questão individual, mas como um elemento essencial do desenvolvimento humano, da sustentabilidade dos negócios e da qualidade das relações de trabalho.
Em um cenário marcado pelo avanço tecnológico, pela digitalização acelerada e pela velocidade das decisões, a relação das pessoas com o trabalho se transforma. Falar de bem-estar emocional, nesse contexto, deixa de ser um tema complementar e passa a integrar a estratégia organizacional.
Empresas que investem em uma cultura de cuidado, prevenção e escuta ativa têm observado ganhos consistentes em engajamento, produtividade e atração de talentos. A criação de ambientes psicologicamente seguros, baseados em relações de confiança, consolida-se como um fator de competitividade e sustentabilidade empresarial.
Esse movimento é acompanhado pela ampliação de soluções digitais voltadas ao cuidado emocional, que vêm fortalecendo as iniciativas de saúde corporativa ao facilitar o acesso ao suporte psicológico e reduzir barreiras culturais e geográficas.
Para acompanhar de forma mais próxima o clima organizacional, muitas empresas têm adotado pesquisas recorrentes, análises de percepção e grupos focais, permitindo diagnósticos mais estruturados. Essa abordagem orientada por dados viabiliza a identificação de tendências, o ajuste de processos e o desenvolvimento de políticas mais assertivas, alinhadas às necessidades reais das equipes.
Na Tereos, essa visão já faz parte da nossa prática. Nosso Programa de Bem-Estar reúne ações de qualidade de vida, canais de escuta e iniciativas voltadas à segurança psicológica e ao diálogo aberto, reforçando a convicção de que o cuidado emocional é um pilar da sustentabilidade do negócio.
Mais do que iniciativas pontuais, tratamos o equilíbrio mental como parte da estratégia de gestão de pessoas. Seguimos investindo no acompanhamento e no desenvolvimento das equipes, porque acreditamos que resultados consistentes começam por ambientes de confiança, respeito e cuidado. Pessoas saudáveis constroem organizações mais fortes, hoje e no futuro.
Rui Carvalho
Diretor de Recursos Humanos, Saúde e Segurança da Tereos.