Crise no crescimento
O caminho certo para o Mirassol FC seria manter os nomes possíveis no elenco

Essas crises ocorrem quando os negócios crescem, mas a operação interna entra em colapso por falta de um salto na gestão. Não foi o caso. Este suscitará polêmicas, mas não temos a intenção de criticar ou menosprezar. Ao contrário, é um caso de sucesso e serve de bom exemplo a muitos clubes brasileiros. Falo do Mirassol FC, que, no ano passado, foi um fenômeno nos campeonatos de futebol que disputou.
Futebol precisa de boas administrações e o Mirassol é exemplo de crescimento sustentável. É tão bom exemplo que seguiu com as mesmas regras de manutenção do elenco, vindas todas das séries menores do futebol brasileiro. Não mantinha por muito tempo jogadores e renovava anualmente a maior parte de seu plantel. Deu certo sempre, por que daria errado agora? Mas a Série A e a excelência exigiram novas e ousadas posturas.
O futebol profissional do Brasil tem aproximadamente 900 clubes profissionais. Pouco mais de 100 disputam as séries nacionais. Dentre todos, a dificuldade é exatamente manter plantel ou talentos. Os negócios são irresistíveis e os atletas todos querem ganhar mais, porém poucos chegam aos altos patamares. A maioria ganha pouco e são lutadores, possuidores, às vezes, de sonhos irrealizáveis.
Quando o Mirassol sentiu que estaria na Sul-Americana, era hora de procurar manter o elenco. Depois, na Libertadores, tornou-se essencial. O caminho certo seria manter os nomes possíveis e procurar outros que pudessem reforçar o bom time, mantendo-o vencedor. Era possível, quem não quer disputar um grande campeonato internacional? Mas, desculpem se minhas informações forem falhas, o caminho adotado foi não renovar por mais de ano e nem aumentar demasiadamente a folha de pagamentos. Perdeu-se rapidamente um número tal de atletas que se tornou impossível manter a mesma qualidade.
Elenco que dá certo ou atletas que se dão bem em determinado grupo é algo raro no futebol. Quando se tem, pode ser considerado ouro puro. O Mirassol do ano passado era joia rara. O desmonte e a saída de atletas foram um desastre. Houve esforço da diretoria para manter alguns e buscar outros, mas, infelizmente, a situação se tornou bastante difícil no atual Brasileirão. Sabemos que há possibilidades de manter o time na série A, porém é difícil. Toda a região precisa apoiar o Mirassol e sua diretoria. Ela tem créditos pelo que fez nos últimos anos. É hora de apoiar e compreender.
Laerte Teixeira da Costa
Vice-presidente da UGT e ex-vereador em São José do Rio Preto.