ARTIGO

Crescimento não combina com desculpas

O desenvolvimento de uma nação não pode entrar em recesso

por Daniel de Freitas
Publicado em 19/08/2026 às 20:34Atualizado em 19/08/2026 às 20:52
Diário da Região
Galeria
Diário da Região
Ouvir matéria

O calendário brasileiro é pródigo em datas marcantes. Passamos meses aguardando o Carnaval, depois vieram as competições esportivas, a Copa já faz parte das lembranças e, agora, as atenções se voltam para as eleições. Logo adiante estarão as festas de fim de ano, quando, inevitavelmente, faremos um balanço do que realizamos e do que deixamos para depois.

As comemorações fazem parte da vida. Elas aproximam famílias, movimentam a economia, fortalecem tradições e renovam esperanças. O problema surge quando transformamos o calendário em justificativa para a falta de resultados.

Mais uma vez ouvimos que o crescimento econômico foi modesto porque houve Carnaval, porque havia Copa, porque as eleições paralisam decisões ou porque o cenário internacional continua desfavorável. Sempre existe uma explicação conveniente para o desempenho aquém do esperado.

Enquanto isso, um país dotado de dimensões continentais, solo fértil, riquezas minerais, capacidade industrial, agronegócio competitivo, empreendedores criativos e um povo trabalhador se contenta com um crescimento próximo de 2%, desempenho insuficiente para quem possui tamanho potencial.

Não nos faltam recursos. Falta-nos determinação para transformar oportunidades em desenvolvimento permanente. Crescer não pode depender da ausência de feriados, de eventos esportivos ou de disputas eleitorais. As grandes nações prosperam porque suas instituições, empresas e trabalhadores continuam produzindo independentemente das circunstâncias.

Albert Einstein deixou uma reflexão que permanece atual: “É no meio da dificuldade que se encontra a oportunidade.” As crises não são apenas obstáculos; são momentos que desafiam a inteligência, estimulam a inovação e revelam lideranças. Esperar que as condições sejam perfeitas para agir é a melhor maneira de permanecer parado.

O Brasil já demonstrou inúmeras vezes que sabe superar desafios quando existe união de propósitos. Temos competência para crescer muito mais, gerar empregos, aumentar a renda, investir em educação, ciência, tecnologia e infraestrutura. O que falta não é capacidade; é vontade de fazer acontecer.

As datas comemorativas continuarão existindo, felizmente. Carnaval, eleições e festas de fim de ano sempre ocuparão seu espaço no calendário. Mas o desenvolvimento de uma nação não pode entrar em recesso. O crescimento não espera a próxima segunda-feira, o próximo governo ou a próxima festa. Ele nasce do trabalho diário, da confiança e da coragem de abandonar as desculpas para construir resultados.

Daniel de Freitas

Empresário, ex-presidente da Acirp, Rio Preto.