Diário da Região
CONJUNTURA

Corrupção e Subdesenvolvimento

por Ary Ramos da Silva Júnior
Publicado há 1 horaAtualizado há 1 hora
Ary Ramos da Silva Júnior (Ary Ramos da Silva Júnior)
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Todos os povos e todas as civilizações sempre sonharam com o desenvolvimento econômico, com seus impactos sociais positivos para a comunidade, melhoras substanciais na qualidade de vida, oportunidades crescentes para todos os cidadãos, serviços públicos e privados desenvolvidos e bem-estar para toda a sociedade. Para que o desenvolvimento se efetive é fundamental uma maturidade social e institucional, regras sólidas e consistentes e um sistema baseado em planejamentos constantes, tudo isso pode impedir que o sonho do desenvolvimento se transforme em um verdadeiro pesadelo.

No caso brasileiro, os cidadãos sonham com este desenvolvimento econômico e seus benefícios coletivos e, percebemos constantemente, impasses que nos mantêm em situação econômico e social preocupante, dentre elas, destacamos as questões relacionadas à corrupção, que impactam negativamente sobre o desenvolvimento econômico, limitam a alocação de recursos produtivos escassos, reduzindo o crescimento e o dinamismo econômico, fragilizando os agentes governamentais e impactando negativamente os investimentos produtivos, além de limitar a inovação e o empreendedorismo.

Neste cenário, percebemos que países como o Brasil apresentam indicadores elevados de corrupção, apresentando arcabouços legais frágeis, menor renda, pior educação e baixa capacidade estatal — fatores que, por si só, reduzem o crescimento econômico, diminuindo as potencialidades e perpetuando uma condição degradante da sociedade. A corrupção impacta fortemente no desenvolvimento econômico brasileiro, exigindo que o combate à corrupção se torne uma das maiores prioridades, exigindo atitudes consistentes de todos os setores da comunidade e conscientizando a sociedade sobre os males da corrupção para as condições de vida da população.

No decorrer da história brasileira, encontramos casos escandalosos de corrupção que limitaram o crescimento econômico e contribuíram ativamente para variados desequilíbrios políticos e limitaram as potencialidades econômicas nacionais. Muitos acreditavam que a corrupção era um instrumento positivo para contornar as inúmeras burocracias que sempre caracterizaram a sociedade brasileira. De outro lado, alguns especialistas acreditam que a corrupção afeta fortemente a alocação de recursos, favorecendo empresas pouco produtivas e, muitas organizações passaram a investir mais em angariar benefícios políticos e econômicos imediatos ao contrário de focar no incremento de produtividade.

A corrupção acontece em todas as esferas da sociedade brasileira, nos setores públicos e, também, nos setores privados, cujos impactos são violentos para a sociedade brasileira, aumentando os custos dos investimentos produtivos, degradando os serviços e perpetuando uma verdadeira erosão social, onde uma pequena parte da sociedade vive de forma nababesca, centrada em luxos e desperdícios e uma grande parte sobrevive em condições degradantes, cercada pela pobreza e pela indignidade.

Neste ambiente de degradação dos serviços públicos, como vivemos cotidianamente, serviços estes descritos como ineficientes, caros e desnecessários, onde muitos defendem que a solução para acabar com a corrupção está na retirada das esferas públicas e no repasse para os setores privados, mais eficientes, menos dispendiosos e mais produtivos, será mesmo essa solução?

Muitos países desenvolvidos embarcaram neste discurso ideológico nos anos 1990, diminuíram o papel do Estado e passaram a exaltar o poder do mercado, privatizaram, desnacionalizaram e desregularam, acreditando que estavam fazendo as escolhas corretas. Atualmente, muitas nações estão voltando atrás, reestatizando empresas, retomando a regulação de setores estratégicos e aqui, no Brasil, estamos ensaiando, mais uma vez, vender patrimônio público a preços módicos, acreditando que somos modernos e, na verdade, somos entreguistas e verdadeiros dinossauros.

Ary Ramos da Silva Júnior

Bacharel em Ciências Econômicas, Mestre, Doutor em Sociologia.