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ARTIGO

Comprometimento faz a diferença!

A prevenção da violência exige compromisso permanente do poder público e da sociedade

por Denise Maria Ferreira
Publicado em 04/08/2026 às 19:06Atualizado em 04/08/2026 às 19:28
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Julho é um mês que simboliza a força, a resistência e o protagonismo das mulheres negras. Em São José do Rio Preto, esse significado ganhou vida por meio da 4ª Marcha das Mulheres Negras Latino-Americanas e Caribenhas, um movimento que foi muito além da caminhada realizada no dia 25 de julho. A Marcha reafirmou que a luta por direitos acontece diariamente, nos territórios, nos espaços de diálogo e na construção coletiva de políticas públicas.

Ao longo do mês, a Comissão Organizadora promoveu uma ampla agenda de atividades, levando informação, acolhimento e escuta a diferentes espaços da cidade. A Marcha esteve presente em faculdades, no Centro de Convivência, nos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) e encerrou esse importante ciclo de visitas no Centro de Ressocialização Feminino de São José do Rio Preto. Foram momentos de diálogo com mulheres que, muitas vezes, vivem situações de vulnerabilidade e precisam conhecer seus direitos, fortalecer sua autoestima e compreender que não estão sozinhas.

Nossa atuação também ultrapassou as fronteiras do município. Em uma emocionante videochamada, tivemos a oportunidade de conversar com estudantes de uma comunidade quilombola do Rio Grande do Sul, que desenvolviam estudos sobre Tereza de Benguela. Compartilhar conhecimentos sobre sua trajetória de resistência e liderança foi uma experiência que reafirmou a importância da educação como instrumento de transformação e do fortalecimento da identidade do povo negro.

A programação contou ainda com um seminário que reuniu pesquisadoras, lideranças, representantes do poder público, movimentos sociais e a comunidade para refletir sobre os desafios e as potencialidades das mulheres negras. O evento fortaleceu o diálogo sobre políticas públicas, equidade racial, participação social e enfrentamento das desigualdades.

A Marcha, que reuniu centenas de participantes, reafirmou seu compromisso com uma sociedade mais inclusiva ao ampliar o debate sobre o combate ao racismo, à misoginia, à intolerância religiosa, ao capacitismo e às violências sofridas por mulheres negras LGBTQIAPN+, reconhecendo que a defesa dos direitos humanos deve contemplar todas as mulheres em sua diversidade.

Com a chegada do Agosto Lilás, mês dedicado à conscientização e ao enfrentamento da violência contra a mulher, reforçamos que essa mobilização não termina com o fim de julho. A prevenção da violência exige informação, acolhimento, educação em direitos, fortalecimento das redes de proteção e compromisso permanente do poder público e da sociedade.

A Marcha deixa um legado importante: ocupar os territórios, aproximar as políticas públicas da população, fortalecer lideranças e dar visibilidade às mulheres que, por muito tempo, permaneceram invisibilizadas. Marchamos em julho, mas seguimos lutando todos os dias para que nenhuma mulher tenha sua voz silenciada, seus direitos negados ou sua dignidade desrespeitada. É essa caminhada permanente que dá sentido ao nosso compromisso com a justiça social, a igualdade e a construção de uma sociedade verdadeiramente democrática.

Denise Maria Ferreira

Empreendedora e Educadora Social. Membra do Coletivo Mulheres na Política.