ARTIGO

Como vamos formar os profissionais do futuro?

O desafio dos próximos anos, portanto , não será apenas ensinar pessoas a trabalhar com IA

por Demetrio Teodorov
Publicado em 21/08/2026 às 20:26Atualizado em 21/08/2026 às 20:32
Demetrio Teodorov vai abordar novos comportamentos de consumo (Divulgação)
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Demetrio Teodorov vai abordar novos comportamentos de consumo (Divulgação)
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A inteligência artificial já começou a mudar a rotina das empresas. Automatiza tarefas, organiza informações, acelera análises e reduz o tempo gasto em atividades operacionais. Mas, por trás dos ganhos de produtividade, surge uma questão menos óbvia e talvez mais importante: se a IA passar a executar parte do trabalho mais básico, como os profissionais vão adquirir experiência para assumir funções mais complexas no futuro?

Durante décadas, boa parte da formação profissional aconteceu na prática. Quem entrava em uma empresa começava por tarefas mais simples, acompanhava profissionais experientes, errava, corrigia, repetia e, aos poucos, construía repertório.

A IA começa a mexer justamente nessa lógica. Pesquisas preliminares, consolidação de dados, organização de informações, relatórios e análises iniciais estão entre as atividades que já podem ser automatizadas ou realizadas em muito menos tempo.

O ganho de produtividade é evidente. A questão é o que passa a ocupar o lugar do aprendizado.

Não basta retirar uma tarefa e imaginar que o desenvolvimento profissional continuará acontecendo da mesma forma. Se a tecnologia encurta etapas da execução, as empresas também precisam repensar como as pessoas ganham experiência.

Isso pode exigir mais mentoria, contato próximo com profissionais experientes, participação antecipada em projetos e maior exposição às decisões do negócio.

O profissional mais jovem precisa compreender não apenas como uma atividade é feita, mas por que determinadas escolhas são tomadas.

Nesse cenário, saber usar IA será importante, mas não será suficiente. O diferencial estará cada vez mais na capacidade de fazer boas perguntas, perceber riscos, interpretar o contexto e avaliar a qualidade das respostas. Uma ferramenta pode apresentar várias alternativas em segundos. Saber qual delas faz sentido para determinado cliente, negócio ou situação continua dependendo de repertório.
É uma mudança que vai além da tecnologia. A discussão sobre IA não pode ficar restrita a quantas horas uma ferramenta economiza ou quantos processos consegue automatizar. As empresas também terão de olhar para as competências que precisam desenvolver e para a maneira como vão formar profissionais em um ambiente no qual parte do caminho tradicional de aprendizagem pode deixar de existir.

O papel da liderança também muda. O gestor não será apenas quem distribui tarefas e acompanha entregas. Compartilhar contexto, explicar critérios de decisão e desenvolver autonomia passa a ter ainda mais importância.

O desafio dos próximos anos, portanto, não será apenas ensinar pessoas a trabalhar com IA. Será descobrir como incorporar a tecnologia sem interromper o processo que transforma iniciantes em profissionais experientes.

Demetrio Teodorov

Head de inovação da Rodobens