ARTIGO

Como a morte nos afeta?

A partir de certa idade, as pessoas se preocupam com a morte, mas é perda de tempo

por Laerte Teixeira da Costa
Publicado em 09/04/2026 às 01:24Atualizado em 09/04/2026 às 09:40
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Ler livros de filosofia só pode dar nisso: perguntas irrespondíveis, reflexões complexas e a perplexidade de quem pensa. É preciso ter juízo para se enveredar nos mistérios da vida. Alguém já defendeu o valor da ignorância, afirmando que os ignorantes são mais felizes porque despreocupados de temas relevantes.

Pois é! Relendo o “Filósofo e o lobo”, de Mark Rowlands, livro que aprecio e, de vez em quando, debruço-me sobre alguns capítulos, notei a pergunta: “em que sentido a morte é algo ruim?” Havia lido outros pensadores, mas essas leituras passam, desaparecem com o tempo. Só voltamos a elas quando estamos frente às mesmas indagações.

Relembrando essas presunções, algumas citadas pelo próprio Rowlands, situei-me na década de 1960, quando convivi com os professores Roberto Choeiri e Francisco Salles Oeterer. Choeire em sua casa na Siqueira Campos e Salles, em sua residência na Galeria Bassitt, onde buscava livros emprestados. Assim li, por exemplo, quase toda a obra de W. Somerset Maughan.

Voltemos à morte. Há muita tinta. Comecemos por Confúcio: “para que se preocupar com a morte? A vida tem tantos problemas que temos de resolver primeiro”. Verdade. Deveria parar por aqui. A vida, de fato, é mais interessante. Steve Jobs disse que a morte é a melhor invenção da vida, chega para renovar tudo.

A pergunta não foi respondida. Epicuro, antes de Cristo, argumentou: “a morte não pode nos fazer mal; enquanto vivos, ela não aconteceu; e quando morremos já não estamos presentes”. A morte é o limite da vida. Rowlands pensa que a resposta mais satisfatória é “a morte nos faz mal porque nos tira todas as nossas possibilidades”. Pode ser, quando se tem perspectivas.

O mestre alemão do Iluminismo, Immanuel Kant conclui: “se vale a pena viver e se a morte faz parte da vida, então morrer também vale a pena”. Será? O velho Sócrates lembra mais: “morrer é uma destas duas coisas: ou é como um nada ou ocorre de ser uma transmigração e uma transferência da alma aqui deste lugar para outro lugar”. Vixe!

Aí entram as religiões. Cada uma com suas normas, códigos, leis e ritos. Terreno minado, no qual não tenho competência para pisar. Respeitar a todas é um dever daqueles que, como disse no início, têm juízo. A partir de certa idade, as pessoas se preocupam com a morte, mas é perda de tempo. Melhor viver o dia como se fosse o último, um dia você acerta!

Laerte Teixeira da Costa

Vice-presidente da UGT (União Geral dos Trabalhadores) e ex-vereador em Rio Preto.