Diário da Região
Conjuntura

Caos nacional

Os avanços são positivos, tímidos e poderiam ser maiores se os grupos políticos e econômicos se interessassem em defender os interesses da maioria e deixar de lado interesses imediatos

por Ary Ramos da Silva Júnior
Publicado há 5 horasAtualizado há 2 horas
Ary Ramos da Silva Júnior (Ary Ramos da Silva Júnior)
Galeria
Ary Ramos da Silva Júnior (Ary Ramos da Silva Júnior)
Ouvir matéria

Este artigo está sendo escrito no último dia de 2025, um ano de grandes alterações no cenário global, incremento dos conflitos econômicos entre nações, aumento dos confrontos militares em todas as regiões do globo e expectativas sobre o comportamento da economia brasileira, uns grupos apostando fortemente no caos generalizado, inflação em ascensão, aumento do desemprego, degradação da renda nacional, diminuição dos investimentos estrangeiros e uma devastação econômica. Será que essas previsões se concretizaram?

Depois de dois anos de crescimento econômico na casa dos 3% ao ano, 2023 e 2024, as expectativas dos grupos oposicionistas eram de uma retração econômica, neste ano de 2025 devemos confirmar um crescimento do produto interno bruto na casa dos 2,2%, garantindo um triênio de crescimento satisfatório, ainda mais numa sociedade internacional marcada por grandes instabilidades econômicas e variados conflitos políticos, gerando incertezas crescentes e vários conflitos militares que podem se espalhar para outras nações e culminar em conflitos generalizados.

Os dados econômicos nacionais deste ano são auspiciosos, apesar das taxas de juros escorchantes adotadas pela Autoridade Monetária, Banco Central, na casa dos 15% ao ano, o país conseguiu algum fôlego no crescimento econômico, melhorando substancialmente os indicadores sociais, com redução da pobreza extrema, aumento no emprego e, em contrapartida, redução do desemprego, além do incremento da renda nacional e a redução da inflação, tudo isso contribuiu, ativamente, para a movimentação econômica, que impulsionaram o consumo e a renda agregada.

Ao analisarmos os indicadores macroeconômicos, o contraste entre a expectativa e a realidade é notável. A projeção inicial deste ano da inflação (IPCA) era de 5,8%, mas o resultado efetivo deve fechar o ano de 2025 em 4,32%, abaixo das inúmeras previsões do mercado. Essa reversão demonstra um controle de preços mais eficaz do que o previsto, mesmo sabendo que as taxas de juros praticadas inviabilizam um crescimento mais consistente.

Outro indicador macroeconômico que mostrou grande resiliência da economia brasileira foi o Investimento Estrangeiro Direto (IEDs), ainda mais num ambiente externo marcado por grandes instabilidades, tarifaços, protecionismos e intervencionismos crescentes. Em 2024, o Brasil recebeu mais de US$ 74 bilhões de recursos externos e, em 2025, as estimativas mostram mais de US$ 84 bilhões, mostrando condições externas positivas e pujantes, além de mostrarem que a diversificação externa pode gerar grandes espaços de crescimentos econômico e comercial.

Recentemente, o relatório da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura) confirmou que menos de 2,5% da população brasileira estava em situação de subalimentação grave, resultado de políticas públicas focadas em combate à fome e insegurança alimentar, uma grande conquista da população brasileira e nos mostram que políticas públicas e sociais bem estruturadas e bem desenhadas podem gerar grandes benefícios para a sociedade.

Os indicadores macroeconômicos nos mostram avanços substanciais para a economia nacional, sabemos que os desafios macroeconômicos são gigantescos, nossa estrutura produtiva ainda carece de complexidade econômica, os empregos nacionais pagam salários reduzidos, a produtividade do trabalho é limitada, a estrutura tributária apresenta grandes distorções históricas, ricos pagam poucos impostos e a carga tributária se concentra na classe média e nos grupos mais precarizados. Os avanços são positivos, tímidos e poderiam ser maiores se os grupos políticos e econômicos se interessassem em defender os interesses da maioria e deixar de lado seus próprios interesses imediatos.

Ary Ramos da Silva Júnior

Bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.