Diário da Região

Cães de pessoas em situação de rua e o risco à população

Isso representa um risco real à população, especialmente em áreas de grande circulação de pessoas

por João Passos Nogueira Filho
Publicado em 08/01/2026 às 03:32
João Passos Nogueira Filho (Divulgação)
Galeria
João Passos Nogueira Filho (Divulgação)
Ouvir matéria

A presença de pessoas em situação de rua é uma realidade social que exige sensibilidade, políticas públicas eficazes e ação integrada do poder público. No entanto, um problema que tem se agravado em São José do Rio Preto e que precisa ser tratado com urgência é a grande quantidade de cães que acompanham essas pessoas, sem qualquer tipo de controle sanitário, vacinação ou acompanhamento veterinário.

Há muito tempo esse tema vem sendo debatido no âmbito do CONSEG, das associações de lojistas e de lideranças comunitárias. A preocupação é clara e legítima. Não existe hoje um cadastro, um controle de saúde ou sequer a confirmação de que esses animais estejam vacinados. Isso representa um risco real à população, especialmente em áreas de grande circulação de pessoas, como o centro da cidade.

Nos últimos dois anos, os relatos de ataques se tornaram frequentes. Pessoas foram intimidadas, moradores e trabalhadores sofreram agressões e, o que é mais grave, crianças foram mordidas. Recentemente, uma criança foi atacada e, nesta mesma semana, mais uma criança sofreu mordida na mão. Situações como essas não podem ser tratadas como casos isolados ou ignoradas pelas autoridades.

É importante deixar claro que não se trata de criminalizar pessoas em situação de vulnerabilidade, tampouco de defender maus-tratos aos animais. Pelo contrário. A ausência de políticas públicas adequadas prejudica tanto a população quanto os próprios cães, que vivem sem cuidados veterinários, expostos a doenças e em condições precárias.

Gestões já foram feitas junto à Secretaria do Bem-Estar Animal, mas até o momento não houve respostas efetivas nem ações concretas. A sociedade cobra providências. É papel do poder público criar soluções responsáveis, como programas de acolhimento, castração, vacinação, identificação dos animais e orientação aos seus tutores.

Não é justo que a população conviva com o medo de ataques. Não é aceitável que crianças sejam mordidas. A segurança, a saúde pública e o bem-estar animal precisam caminhar juntos. O que se espera agora é ação imediata, planejamento e responsabilidade das autoridades competentes. A cidade não pode mais esperar.

João Passos Nogueira Filho

Fotógrafo Profissional, Rotariano, Empreendedor e ex-presidente do Conseg São José do Rio Preto Centro/Sul