Cacau Paulista: quando uma nova vocação econômica nasce do planejamento
Com pesquisa, tecnologia, assistência técnica, governança, visão de longo prazo e muito empreendedorismo, novas regiões podem se posicionar em cadeias produtivas de alto valor agregado

O reconhecimento da Cadeia Produtiva Local do Cacau no Noroeste Paulista pelo Governo de São Paulo, por meio do Programa SP Produz, representa mais que uma conquista institucional para Rio Preto. Trata-se de um sinal claro de que o desenvolvimento regional do futuro será cada vez mais construído a partir da capacidade de identificar vocações, organizar setores produtivos, articular instituições e transformar potencial em estratégia econômica.
Durante muito tempo, quando se falava em cacau no Brasil, remetia-se automaticamente às regiões tradicionalmente produtoras, norte e nordeste do País. O avanço do Noroeste Paulista mostra que a economia não se limita mais às fronteiras históricas da produção. Com pesquisa, tecnologia, assistência técnica, governança, visão de longo prazo e muito empreendedorismo, novas regiões podem se posicionar em cadeias produtivas de alto valor agregado.
Esse é o ponto central do reconhecimento recebido por Rio Preto. O selo do SP Produz é resultado de uma construção iniciada há mais de dez anos, com participação de instituições técnicas, produtores e lideranças regionais. O trabalho desenvolvido em parceria com organismos como CATI, Fundação Cargill e CEPLAC, demonstra que a região possui condições para a estruturação de uma cadeia econômica promissora.
Para Rio Preto, isso tem um significado estratégico. O cacau representa uma nova oportunidade de diversificação, num momento em que o agronegócio brasileiro busca ampliar modelos sustentáveis, agregar valor à produção e abrir novas oportunidades para pequenos e médios produtores. Não se trata de uma nova cultura, mas de organizar um ecossistema econômico que gera renda, conhecimento, emprego e novos negócios.
O reconhecimento estadual abre portas. Ao integrar uma política pública voltada ao fortalecimento de Cadeias Produtivas Locais, o projeto ganha visibilidade e aumenta as possibilidades de acesso a programas de capacitação, editais e parcerias públicas e privadas, como o termo de cooperação firmado entre a Acirp e a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados. Isso é fundamental porque nenhuma cadeia se consolida apenas pela vontade dos autores. É preciso planejamento, governança, recursos e inteligência de mercado.
Nesse sentido, a atuação da Acirp reafirma o papel de entidades empresariais no desenvolvimento econômico regional. Uma associação comercial moderna vai além da representação institucional. Ela precisa ser agente de articulação, indutora de projetos estruturantes e ponte entre o setor produtivo, o poder público e a sociedade. O caso do cacau demonstra como essa atuação contribui para abrir novas frentes de crescimento.
O desafio, agora, é transformar o reconhecimento em execução. O selo recebido é um marco, mas o resultado vem da capacidade de organizar ações, ampliar áreas produtivas, qualificar pessoas, atrair investimentos e criar condições para que o cacau se torne uma atividade economicamente viável e socialmente relevante.
O reconhecimento da Cadeia Produtiva Local do Cacau deve ser visto como uma oportunidade estratégica, apontando para uma região que não espera o futuro chegar, mas trabalha para construí-lo. Uma região que entende que desenvolvimento não acontece por acaso. Ele nasce da articulação entre conhecimento, produção, inovação, liderança e compromisso coletivo.
André Seixas
Vice-presidente da Acirp