BR-153: as cinco tristezas
Justamente em São Paulo, a BR-153 parece não receber a devida atenção das autoridades

A BR-153 ganhou o apelido de “cinco tristezas” entre os motoristas que trafegam por ela no trecho paulista. São cinco problemas visíveis: não é duplicada; não possui acostamento decente; não tem conexão de celular na maior parte do percurso; carece de sinalização adequada; encontra-se quase toda esburacada.
É tristeza demais para quem paga caro pelas tarifas cobradas em suas quatro praças de pedágio. Com a maciça adesão dos veículos ao sistema “sem parar”, é incompreensível que a concessionária mantenha apenas uma cabine automática funcionando e outras três manuais.
Conhecida na região como Transbrasiliana, a BR-153 tem extensão de 3.255 km, é considerada uma das maiores rodovias do país e corta oito estados brasileiros. Também figura no ranking das rodovias mais perigosas do Brasil. Os 321,6 km do trecho paulista — que vai de Icém, na divisa com Minas Gerais, até Ourinhos, na divisa com o Paraná, passando por 22 municípios — são considerados entre os piores de toda a rodovia.
Justamente em São Paulo, o estado mais rico da nação, a BR-153 parece não receber a devida atenção das autoridades. A pavimentação asfáltica lembra uma colcha de retalhos, repleta de remendos malfeitos. E faz 18 anos essa rodovia foi privatizada, passando-se por vários governos.
É de se perguntar por que os prefeitos e os vereadores de Marília, Ourinhos, Lins e São José do Rio Preto — as maiores cidades do trecho paulista — e dos outros 18 municípios não se mobilizam para reivindicar melhorias e a imediata duplicação de toda a rodovia. Tampouco se vê qualquer movimentação efetiva dos deputados da região. Somente há pouco tempo uma procuradora do Ministério Público Federal resolveu agir em prol da duplicação.
A BR-153 é a principal via de acesso para quem se desloca da região até Brasília. No entanto, quem está no poder não sente na pele as péssimas condições da rodovia, pois está acostumado, às custas do povo, a viajar de avião até a capital federal. Assim, não vivencia os transtornos nem a urgência da duplicação.
Em razão da pista simples e estreita, trechos de menos de 100 km — que, em condições normais, seriam percorridos em menos de 1 hora — podem levar mais de 2 horas. Isso ocorre devido à lentidão dos caminhões pesados, que trafegam a menos de 40 km/h. Com frequência, formam-se filas de 10 ou 20 caminhões, tornando praticamente impossível a realização de ultrapassagens.
O resultado dessa situação são os 449 acidentes registrados, somente no ano passado, no trecho paulista, com 477 feridos, dos quais 79 em estado grave e 25 mortes.
Nelson Gonçalves
Jornalista em São José do Rio Preto.