As marchas e os percursos
Problemas concretos exigem de nós ações multifacetadas

A Plataforma Percursos Alternativos publicou esta semana um post sobre Wangari Maathai. Nascida no Quênia, Wangari ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 2004. Bióloga, Mestre e Doutora, foi ativista e ministra do Meio Ambiente. O Movimento Cinturão Verde, criado por ela, foi responsável pela plantação de milhões de árvores no continente Africano, mobilizando milhares de mulheres para essa ação.
Percursos Alternativos é uma plataforma de conteúdo escolar, um espaço de divulgação de conhecimentos que vai na direção de anular os movimentos que buscam apagar a presença, a atuação e a influência da população afrodescendente na construção do nosso país, tanto materialmente como simbolicamente. Currículo é “caminho”, nesse sentido, é preciso construir percursos alternativos que considerem na caminhada todas as culturas que nos constituem como nação, além de nos ajudar a conhecer nomes, como Wangari, que nos permitem ver a riqueza e a diversidade de ações e saberes do continente africano.
Julho é chamado de “Julho das Pretas” porque no dia 25 comemora-se, desde 1992, o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha. Na nossa cidade ontem e em diversas outras estão acontecendo e acontecerão marchas de Mulheres Negras. Aqui estamos na 3ª edição da Marcha que ocupou o centro da cidade. No dia anterior, na UNESP, um Seminário preparatório para a Marcha foi realizado. Como a Marcha são corpos caminhando nas ruas, mas é também manifestação política e disseminação de conhecimento, o Seminário foi um espaço para que palestras, reflexões e discussões, que começaram muito antes da 1ª marcha, continuassem seu caminho de busca de sistematização e encaminhamentos para a concretização de políticas públicas e ações efetivas que melhorem a vida das mulheres negras de nossa cidade.
Problemas concretos exigem de nós ações multifacetadas. A Marcha nos colocou na rua, mostrou nossa presença na cidade. A Marcha é visibilidade e movimento. O Seminário preparatório, simbolicamente nos colocou dentro da Universidade Pública, um espaço privilegiado de discussão e formação, que nos lembra que a luta requer força e conhecimento. Plataformas, como a Percursos Alternativos, nos dão munição de saberes objetivos para essa caminhada.
Julho tornou-se um mês especial, mas o movimento e os percursos que levam em conta a população negra e em especial as mulheres precisam ser exercitados, construídos e percorridos todos os dias, para o avanço de todos nós.
Monica Abrantes Galindo
É vice-diretora da UNESP de Rio Preto, professora, participante dos coletivos Mulheres na Politica e CDINN -Coletivo de Intelectuais Negras e Negros