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por Da Redação
Publicado há 19 horas
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Que emocionante homenagem que me prestou o amigo Romildo Sant’Anna (amicus carissime!), na crônica “Força estranha”, na edição 01/3. Lá estava, na primeira linha, com todo o prestígio de seu nome: “a Eurípides Alves da Silva”.

Honrosa homenagem. Primeiro pelo fato de vir de uma das mais importantes personalidades do cenário cultural do país, consagrado escritor, jornalista e pesquisador. Depois, pela natureza científica da crônica e brilhante abordagem, ao relatar a histórica proeza de Arthur Eddington, “o cientista que tornou Albert Einstein mundialmente famoso”.

Muito obrigado, Romildo, pela sua impagável homenagem!

Eurípides Alves da Silva, Rio Preto

Vagas

Chama atenção a tentativa do governo municipal de atribuir ao Bolsa Família o baixo número de inscritos no processo seletivo simplificado da Prefeitura de Rio Preto para contratação temporária de trabalhadores da zeladoria.

É preciso tratar o tema com seriedade. Não se trata de “falta de vontade de trabalhar”, mas de uma realidade concreta: estamos falando de contratos temporários de seis meses, renováveis por mais seis, sem estabilidade, para funções pesadas, exercidas sob sol e chuva. A população sabe diferenciar concurso público de processo seletivo provisório. Sabe o que é carreira e o que é vínculo precário.

Atribuir a programas sociais federais a responsabilidade pelo desinteresse é uma simplificação ideológica que ignora dados e bom senso. O Bolsa Família não substitui emprego. É um benefício voltado a famílias em situação de vulnerabilidade, cujo valor não concorre com salários da ordem de R$ 3 mil. Essa narrativa apenas desloca o foco do verdadeiro debate.

Se há sensação de abandono na cidade, com mato alto e equipamentos públicos sem manutenção, isso não surgiu repentinamente. É resultado de planejamento insuficiente e de prioridades administrativas que precisam ser revistas. Resolver às pressas, diante do desgaste de imagem, não substitui política pública estruturada.

O trabalhador rio-pretense quer oportunidade, mas também quer dignidade, previsibilidade e respeito. Transformar uma dificuldade pontual de contratação em argumento contra políticas sociais é um desvio de foco que não contribui para a solução do problema.

O debate precisa ser mais honesto. E mais responsável.

Carlos Alexandre Gomes, Rio Preto