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Apendicite: quando o tempo faz toda a diferença

Quando identificada nas fases iniciais, a apendicite costuma ter tratamento simples

por Maria Laura de Castro
Publicado há 2 horasAtualizado há 2 horas
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A apendicite aguda é uma das causas mais comuns de dor abdominal que levam pacientes ao pronto-atendimento. Apesar de ser uma condição conhecida, ainda representa risco quando o diagnóstico não acontece de forma precoce. Muitas complicações poderiam ser evitadas se os sinais iniciais fossem reconhecidos e avaliados a tempo.

A doença ocorre quando o apêndice, uma pequena estrutura localizada no lado direito do abdome, sofre um processo inflamatório. Os sintomas geralmente começam com uma dor abdominal mal localizada, muitas vezes ao redor do umbigo, que ao longo das horas migra para a região inferior direita do abdome. Essa dor tende a se intensificar, tornando-se contínua, e pode vir acompanhada de náuseas, vômitos, perda do apetite e febre baixa. No entanto, nem sempre a apendicite se manifesta de forma clássica, especialmente em crianças, idosos e gestantes, o que pode atrasar o diagnóstico.

O fator tempo é determinante. Quando identificada nas fases iniciais, a apendicite costuma ter tratamento simples e evolução favorável. Já o atraso no diagnóstico pode levar à perfuração do apêndice, infecção abdominal disseminada e aumento significativo do risco cirúrgico. Por isso, diante de uma dor abdominal persistente e progressiva, procurar avaliação médica não deve ser postergado.

Embora o diagnóstico da apendicite seja essencialmente clínico, os exames de imagem exercem papel fundamental, sobretudo nos casos em que os sintomas não são claros. A ultrassonografia abdominal é frequentemente utilizada como exame inicial e pode fornecer informações importantes. A tomografia computadorizada, por sua vez, é o método mais preciso, permitindo confirmar o diagnóstico, identificar complicações e afastar outras causas de dor abdominal.

Diversas condições podem se manifestar de forma semelhante à apendicite, como infecções intestinais, diverticulites, problemas urinários e, nas mulheres, alterações ginecológicas. Nesses casos, a imagem contribui de forma decisiva para o diagnóstico correto e para a definição da melhor conduta.

A principal mensagem é clara: dor abdominal não deve ser ignorada. Na apendicite, o diagnóstico precoce pode mudar completamente o desfecho, reduzindo complicações e salvando vidas. A combinação entre avaliação médica cuidadosa e exames de imagem adequados é uma aliada essencial para um cuidado mais seguro e eficaz.

Maria Laura de Castro

Radiologista do Ultra-X.