ARTIGO

Acolher, orientar e fortalecer mulheres

A violência contra a mulher é uma realidade escancarada nas periferias e nos condomínios de luxo

por Rosicler Quartieri
Publicado há 2 horasAtualizado há 2 horas
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O Dia Internacional da Mulher é, antes de tudo, um convite à reflexão. É um momento de reconhecer conquistas históricas, mas também de olhar com honestidade para os desafios cotidianos que ainda persistem na vida de milhares de mulheres.

A violência contra a mulher, infelizmente, é uma realidade escancarada todos os dias nas periferias e nos condomínios de luxo. A mídia está aí, para mostrar a crueza das situações, que muitas vezes terminam em feminicídios, praticados na frente de filhos. Há casos em que o assassino tira a própria vida, deixando para trás os órfãos do feminicídio.

O que se torna visível para a sociedade é a violência física. No entanto, quase sempre é o último estágio de um ciclo que começa de forma mais silenciosa: com a violência psicológica, marcada por humilhações, ameaças e palavras que ferem; pode envolver também a violência patrimonial, quando alguém se apropria dos bens ou recursos da mulher, ou ainda a violência sexual — algo que precisa ser dito com clareza: mesmo dentro de um casamento, ninguém é obrigado a manter relações quando não deseja.

Diante dessa realidade, é fundamental que as mulheres saibam que não estão sozinhas. Em São José do Rio Preto, existe uma rede estruturada de atendimento e acolhimento. A cidade conta com uma Delegacia da Mulher que funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana, além de dois Centros de Referência de Atendimento à Mulher (CRAM), com equipes formadas por psicólogas, assistentes sociais e advogadas preparadas para orientar e apoiar cada caso. Além da Cabine Lilás, da Polícia Militar, e da Patrulha Maria da Penha, formada por guardas civis municipais da nossa cidade, entre outros órgãos e serviços os quais integram a rede de enfrentamento à violência contra a mulher.

Muitas vezes, o primeiro passo é justamente conversar, tirar dúvidas e entender que aquilo que está vivendo tem nome e tem saída, não é natural, não faz parte de um relacionamento dito saudável. O atendimento da rede é voltado ao acolhimento e à escuta qualificada. Procurar ajuda não significa, necessariamente, tomar uma decisão imediata, mas iniciar um processo de orientação e fortalecimento. Quando a mulher encontra apoio profissional, ela passa a compreender melhor sua situação e ganha mais segurança para decidir os próximos passos de sua vida.

O atendimento está aberto para acolher, escutar e orientar. Muitas mulheres ainda não se sentem prontas para tomar determinadas decisões, e o papel da rede de apoio é justamente caminhar ao lado delas nesse processo, fortalecendo-as para que façam escolhas com segurança e autonomia.
Outro ponto importante para avançarmos é o fortalecimento entre nós mesmas. À medida que as mulheres conquistam espaços que historicamente lhes foram negados, é essencial que haja apoio e reconhecimento mútuo. A construção de uma sociedade mais justa passa também pela sororidade e pelo respeito entre mulheres.

Mais do que celebrar o 8 de março, é preciso reafirmar um compromisso coletivo: o de acolher, orientar e fortalecer cada mulher para que ela possa viver com dignidade, segurança e liberdade. E, mais do que isso, que sejamos unidas para que nossas lutas se fortaleçam.

Rosicler Quartieri

Secretária de Educação e secretária interina da Mulher, Pessoa com Deficiência e Igualdade Racial de São José do Rio Preto