A violência contra quem ensina em Rio Preto
É inaceitável que o exercício do magistério tenha se tornado uma profissão de risco

Os portais de notícias de São José do Rio Preto, como o Diário da Região, têm estampado manchetes desoladoras que expõem as feridas abertas no cotidiano escolar: agressões físicas a professores, ameaças, invasões e constantes brigas violentas entre os próprios alunos. O que ocorre nas salas de aula rio-pretenses não é um fato isolado, mas o reflexo de um colapso social que ecoa em todo o país. Segundo dados estaduais e nacionais, o avanço das ocorrências em Rio Preto reflete estatísticas paulistas alarmantes, transformando o espaço do saber em um território tomado pelo medo e pela constante vulnerabilidade.
Para os educadores, esse fardo é duplo. Além de enfrentarem uma rotina de trabalho extremamente exaustiva, salas de aula superlotadas e salários historicamente defasados, os profissionais da educação convivem diariamente com a iminência de agressões físicas e psicológicas no ambiente de trabalho. É inaceitável que o exercício do magistério tenha se tornado uma profissão de risco. O adoecimento docente é o sintoma mais evidente desse abandono.
Diante dessa crise profunda, as respostas governamentais insistem em flertar com o populismo político e a ineficácia prática. Projetos demagógicos como o "Escola Sem Partido" não apenas falham em trazer soluções reais de segurança, mas desviam o foco do verdadeiro problema, criando um clima de perseguição ideológica.
Na mesma linha de falsas promessas, assistimos ao investimento massivo em plataformas digitais de eficácia pedagógica duvidosa, enquanto faltam recursos para a infraestrutura básica das escolas e para o apoio psicossocial integral a alunos e servidores.
Essa realidade é agravada por uma ala da classe política que transformou o professor em inimigo público de forma oportunista, disseminando desconfiança e ódio contra a categoria. Essa narrativa altamente irresponsável enfraquece a autoridade pedagógica e legitima a agressividade contra os educadores dentro e fora de sala. Esse sistemático desrespeito promovido no debate público reverbera diretamente na indisciplina do cotidiano, desintegrando a convivência e gerando ataques violentos no próprio chão da escola.
Não haverá avanço social ou pedagógico real sem compreender, de uma vez por todas, que a educação pública de qualidade é um investimento estratégico para o país, e jamais um mero gasto fiscal a ser sumariamente cortado. Superar a barbárie exige valorizar efetivamente a carreira docente, garantindo salários dignos, planos de carreira atraentes e capacitações pedagógicas que façam sentido prático à rotina do educador. Somente quando protegermos e valorizarmos quem educa, resgataremos a paz e a dignidade nas escolas.
Eduardo Alves de Lima
Professor de História e Pedagogo, Diretor Social do Sinpro Rio Preto e Região e Diretor Adjunto de Formação Política e Sindical da FEPESP.