A urgência do autocuidado na vida moderna
É urgente compreender que priorizar-se não é um ato de egoísmo, mas de preservação

Em meio à rotina acelerada dos dias de hoje, uma cena comum nos aviões nos traz uma lição vital de sobrevivência: em caso de despressurização, as máscaras de oxigênio cairão e você deve colocar a sua primeiro, antes de ajudar a quem está ao lado — mesmo que seja seu filho. A regra é clara, lógica e puramente instintiva: para salvar ou cuidar de alguém, você precisa, obrigatoriamente, estar respirando.
No entanto, fora das aeronaves, na dinâmica do cotidiano, costumamos inverter essa ordem. Colocamos a família, os filhos, as demandas domésticas e as exigências profissionais sempre à frente de nós mesmos. Vivendo na era da hiperprodutividade, onde altas horas dedicadas ao trabalho são aplaudidas, é fácil se perder. Entre prazos e expectativas alheias, deixamos de lado nossos desejos pessoais, nossas reflexões e, no limite, nossos próprios valores.
É urgente compreender que priorizar-se não é um ato de egoísmo; é um ato de responsabilidade e preservação. O autocuidado vai muito além de manter os exames físicos em dia ou praticar exercícios — embora estes sejam fundamentais. Ele reside, principalmente, no zelo pelo nosso bem-estar emocional e mental.
Estar bem psicologicamente é o que mantém nossa mente alinhada à consciência, permitindo clareza para a tomada de boas decisões na vida pessoal e profissional.
Nesse cenário de pressões externas, o espaço da psicoterapia surge não como um luxo, mas como um refúgio essencial. É na terapia que encontramos o momento exato para a análise, a reflexão e o desenvolvimento da autorresponsabilidade. Trata-se de uma pausa estratégica para reorganizar os pensamentos e redescobrir o que verdadeiramente nos faz felizes.
Ninguém consegue oferecer o que não tem. Se estamos fragmentados, cansados e vazios, o que entregamos aos outros são apenas os nossos restos. Quando decidimos nos colocar em primeiro lugar para cuidar da nossa mente, não estamos abandonando quem amamos. Pelo contrário: estamos nos abastecendo de energia, paciência e afeto. Afinal, só conseguiremos estar inteiros para os nossos filhos, nossa família, nossos amigos e nosso trabalho, quando estivermos, primeiro, inteiros com nós mesmos.
Joyce Bonfante S. Della Togna
Psicóloga