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ARTIGO

A toxicidade do óleo lubrificante

No mercado clandestino, o OLUC custa dez vezes menos que o óleo de xisto

por José Mário Ferreira de Andrade
Publicado em 02/08/2026 às 00:57
José Mário Ferreira de Andrade (José Mário Ferreira de Andrade)
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José Mário Ferreira de Andrade (José Mário Ferreira de Andrade)
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Estarrecedora a morte de um engenheiro de 27 anos, em Ponta Grossa (PR), após o seu primeiro voo solo, em um ritual de “banho de óleo”. Essa prática consistiria em despejar óleo de motor de avião sobre a cabeça e o tronco do aviador, sentado sobre uma bandeja metálica de recolhimento de óleo usado. Causou espanto esse ritual tóxico nas escolas de aviação.

Segundo o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), o aviador sofreu uma reação anafilática — a forma mais grave e rápida de reação alérgica —, teve uma crise convulsiva e três paradas cardiorrespiratórias.

A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) alertou que os óleos lubrificantes não devem, em hipótese alguma, ter contato com a pele, pois apresentam alto risco à saúde e podem ser fatais.

O óleo lubrificante é um composto sintético, com inúmeros aditivos (antiespumantes, antioxidantes, antidesgaste, inibidores de corrosão etc.).

Os óleos básicos são tratados com ácido, refinados com solventes aromáticos e apresentam evidências de carcinogenicidade para humanos.

Os óleos do Grupo I contêm compostos chamados hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (HAPs) em mais de 100 combinações diferentes. Os HAPs são impurezas que permanecem após o processo de refino e são considerados carcinogênicos. A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) classifica o óleo lubrificante usado ou contaminado (OLUC) como resíduo perigoso devido à sua toxicidade.

Nos motores, o óleo lubrificante é submetido às altas temperaturas e decanta os resíduos metálicos do desgaste natural; depois de um certo tempo de uso, perde eficiência e precisa ser substituído. São comuns altas concentrações de chumbo, arsênio, bário e outros metais pesados no OLUC. No trânsito, nos veículos antigos e desregulados, o óleo lubrificante penetra nas câmaras de combustão e ocorre uma emissão gasosa esbranquiçada com odor muito irritante.

No Brasil, os produtores, consumidores, comercializadores e importadores são obrigados a segregar, armazenar e destinar as embalagens e o OLUC aos reprocessadores autorizados por meio do sistema nacional de logística reversa.

As embalagens e o OLUC obrigatoriamente precisam ser reciclados. Devido à toxicidade, não é permitido outro uso. Entretanto, é comum o emprego do OLUC, não apenas em “banho de óleo” de aviadores, mas também como combustível em fundições clandestinas, colocando em risco a vida das pessoas. No mercado clandestino, o OLUC custa dez vezes menos que o óleo de xisto, um combustível autorizado para queima nos fornos das fundições. Urge mais cuidado!

José Mário Ferreira de Andrade
Engenheiro civil e sanitarista.