ARTIGO

A todas as mulheres negras da nossa vida

Sempre estiveram ali, enquanto alicerce e viga mestra de famílias e de uma comunidade inteira

por Thainá da Silva Costa
Publicado em 18/07/2025 às 18:36Atualizado em 19/07/2025 às 11:29
Ligia Maura Costa (Ligia Maura Costa)
Galeria
Ligia Maura Costa (Ligia Maura Costa)
Ouvir matéria

Estamos às vésperas do dia 25 de julho e quero dedicar este texto a todas as mulheres negras que de algum modo fizeram parte da nossa vida. Gostaria que pensasse, carinhosamente, em todas que passaram por sua trajetória e que significativamente estiveram com você. São tantas: Aparecidas, Joanas, Marias, Josefas, Lurdes, Elens, Denises, Karlas, Xicas, Julianas, Mônicas...

De algum modo, cada uma deixou algo em nosso caminho. Talvez o que marcou foi o caminhar carregado de serenidade e fortaleza; a voz firme e aveludada com palavras que direcionaram a nossa vida e nossas escolhas; o olhar carinhoso e destemido que nos ensinou e nos amou; as mãos acolhedoras que deram sustentação, assim como nos seguraram e nos guiaram; ou os braços que ofereceram tantos abraços apertados e desfazedores de angústia. Ela pode ter sido sua mãe, irmã, avó, tia, esposa, amiga, professora, advogada, médica, enfermeira. Sempre estiveram ali, enquanto alicerce e viga mestra de famílias e de uma comunidade inteira.

Quantas delas não irromperam silêncios? Cruzaram fronteiras? Bateram a poeira em estradas nunca caminhadas? Quantas delas já não fizeram história? Quantas delas não reescreveram finais infelizes? A sabedoria bantu africana, pela filosofia ensinada de Bunseki Fu-Kiau, traz a ciência de que, a ancestralidade é um ensinamento passado de geração em geração que irrompe o tempo e o espaço. Estas mulheres fizeram e fazem a magia acontecer, transmutam pelos seus ensinamentos a realidade da dificuldade, a tristeza em alegria, a dureza em facilidade, a insistência diante do impossível.

Talvez você seja uma delas hoje, transmutando as histórias de tantas a partir de sua vida, sendo a primeira entre gerações a fazer grandes feitos como outras que vieram antes de você. Imersa numa vastidão de tantas histórias de mulheres negras, espelho a imagem de cada uma delas num curso fluído em um rio que nunca seca, porque serve de caminho para as mulheres negras que ainda estão sendo gestadas, ou que estão aprendendo a andar e a falar.

Thainá da Silva Costa

Psicóloga e gestora no Conselho Regional de Psicologia da Subsede de São José do Rio Preto