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RADAR ECONÔMICO

A tecnologia redesenhou o poder das marcas

A marca deixou de ser dona da sua narrativa e passou a ser gestora de percepções

por Bianca Moura
Publicado há 2 horasAtualizado há 2 horas
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Durante muito tempo, a reputação de uma marca era, em grande medida, resultado de um discurso institucional bem estruturado, de uma presença consistente nos meios tradicionais de comunicação e da boa gestão de crises.

Hoje, vivemos a era da reputação em rede e esse cenário mudou de forma irreversível.

A transformação digital não apenas ampliou o acesso à informação, como também descentralizou o poder de construção de imagem. A marca deixou de ser dona da sua narrativa e passou a ser gestora de percepções. E essas percepções são formadas, validadas e amplificadas por um ecossistema complexo, dinâmico e, muitas vezes, imprevisível.

Clientes, colaboradores, influenciadores, imprensa e a própria sociedade participam ativamente dessa construção. Cada interação, cada comentário, cada conteúdo publicado contribui para a formação — ou desconstrução — da reputação.

Nesse novo contexto, a confiança não é mais construída apenas por campanhas bem executadas ou discursos institucionais alinhados. É construída na experiência, na recomendação, na coerência percebida no dia a dia e, principalmente, naquilo que terceiros dizem sobre a marca.

A tecnologia, nesse cenário, exerce um papel ambíguo. Marcas e lideranças têm infinitas possibilidades de ocuparem seus próprios espaços, produzirem conteúdo e se posicionarem como autoridade em seus segmentos. Plataformas digitais permitem proximidade, diálogo e construção contínua de reputação, sem intermediários.

Por outro lado, os riscos foram amplificados. A disseminação de informações falsas, os julgamentos acelerados, a cultura do cancelamento e a atuação dos algoritmos potencializam narrativas — especialmente as negativas — em uma velocidade que desafia qualquer modelo tradicional de gestão de crise. Uma mensagem fora de contexto ou uma prática incoerente podem ganhar proporções exponenciais.

A incoerência se tornou o maior risco reputacional da era digital. Não basta comunicar propósito, é preciso praticá-lo. Não basta posicionar valores, é necessário demonstrá-los consistentemente. O “walk the talk” deixou de ser diferencial e passou a ser premissa básica.

No ambiente hiperconectado, onde todos têm voz e acesso à informação, as marcas são permanentemente observadas, interpretadas e avaliadas. E isso exige uma mudança profunda na forma como a reputação é construída e gerida.

Não se trata mais de controlar mensagens, mas de sustentar comportamentos. A credibilidade passa a ser muito mais relevante do que a visibilidade. E, para isso, é fundamental ter consistência ao longo do tempo.

As lideranças ganham protagonismo, com executivos e porta-vozes atuando como ativos reputacionais. Sua forma de se posicionar, comunicar e interagir impacta diretamente a percepção sobre a empresa.

E a comunicação interna ganha uma relevância ainda maior: em um mundo onde colaboradores também são produtores de conteúdo e formadores de opinião, a reputação começa, inevitavelmente, de dentro para fora.

A tecnologia redesenhou o poder das marcas e a reputação passou a ser um campo em constante construção. Além de uma boa estratégia de comunicação, a constância, verdade e capacidade de dialogar em um ambiente onde múltiplas vozes coexistem e influenciam percepções passam a ser diferenciais.

Atinge seu objetivo quem alinha discurso, prática e relacionamento de forma genuína, consistente e contínua.

Bianca Moura

Consultora de Comunicação e Reputação, CEO da Identité e diretora de Comunicação e Marketing da APETI.